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WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira que limitou a US$ 500 mil (cerca de R$ 1,15 milhão) a remuneração máxima anual dos dirigentes das empresas que receberam ajuda do governo federal, segundo texto divulgado pela Casa Branca. O novo limite é apenas 25% maior que o salário do presidente dos EUA, que é de US$ 400 mil.

As empresas até poderão pagar mais a seus diretores, mas apenas depois que devolverem ao Estado o dinheiro que receberam para se salvarem da crise. A medida não é retroativa a quem já recebeu ajuda federal e pagou salários e bônus superiores ao limite. No entanto, a fiscalização sobre essas empresas vai aumentar.  Pessoas que conhecem Wall Street criticaram a medida e disseram que a decisão pode afugentar talentos de bancos.

"A remuneração anual dos dirigentes de empresas que recebem uma  ajuda extraordinária dos contribuintes americanos será limitada a US$ 500 mil, o que representa uma parte ínfima dos salários que ouvimos recentemente", afirmou Obama. "O que escandaliza as pessoas é que dirigentes sejam premiados por seus fracassos, sobretudo quando estes prêmios são pagos pelos contribuintes", finalizou o presidente. 

Obama afirmou ainda ser "uma vergonha" e o "cúmulo da irresponsabilidade" diretores ganharem compensações elevadas enquanto suas empresas agem como "pedintes" importunando "os contribuintes".

Além de impor limites aos salários, as companhias terão que divulgar e justificar os benefícios ganhos por seus executivos. O governo também colocará limites às indenizações pagas a diretores que deixarem uma empresa.

A longo prazo, o Executivo fará um estudo sobre como o pagamento de bônus excessivos contribuiu para uma cultura de desprezo ao risco, e implementará medidas para que os executivos recebam prêmios pelo crescimento de sua empresa em um espaço de tempo longo, não apenas num só trimestre.

"Pedimos a estas empresas que tomem responsabilidade e que reconheçam a natureza desta crise e o papel que desempenharam nela", declarou Obama, que considerou as medidas anunciadas como fruto do "bom senso".

Resposta do governo...

A medida tomada pelo presidente dos EUA ocorre após o anúncio do pagamento de elevados bônus para executivos de empresas norte-americanas, em especial grupos que enfrentam graves problemas financeiros e recorreram ao Estado para manter suas atividades.

Informações divulgadas no começo de janeiro indicam que as empresas dos EUA pagaram cerca de US$ 18 bilhões aos seus executivos de 1° escalão no final de 2008. Ciente desse valor, Obama declarou que o montante era "vergonhoso".

Informações divulgadas pela rede Bloomberg indicam que o limite não será retroativo para empresas que já obtiveram ajuda no governo. No entanto, elas terão suas operações financeiras monitoradas com maior rigor.

... resposta ao governo

Para o executivo-chefe do Banco JPMorgan Chase, Jamie Dimon, a decisão da Casa Branca é injusta e os políticos não deveriam interferir no sistema de compensação por performance (pagamento de bônus) de Wall Street. As informações também são da rede Bloomberg.

As declarações de Dimon foram dadas durante uma conferência para executivos do setor financeiro, nesta terça-feira, em Nova York, quando já era dada como certa a intervenção do governo sobre os ganhos dos executivos.

Alguns setores de Wall Street fazem eco às declarações de Dimon e espalham a versão de que se as bonificações aos executivos forem limitadas, as empresas podem preferir não recorrer à ajuda do governo justo quando mais precisam.

Vale lembrar que Jamie Dimon recebeu um bônus de US$ 1 milhão no final de 2008 e o JPMorgan está na lista de bancos comprometidos pela crise financeira.

Oferta de crédito

Obama destacou que o Tesouro americano anunciará na próxima semana uma nova estratégia para relançar o sistema financeiro e fazer novamente circular o crédito.

As empresas até poderão pagar mais a seus diretores, mas em ações que só poderão ser liquidadas depois que devolverem ao Estado o dinheiro que receberam para se salvarem da crise. Caso se beneficiem das ajudas do Estado na próxima fase do resgate econômico, esses executivos também não poderão contar com bônus salariais. Eles terão apenas os ganhos obtidos com ações de suas próprias empresas.

"Na próxima semana, o secretário do Tesouro, Tim Geithner, anunciará uma nova estratégia para que o crédito volte a circular, uma estratégia que levará em conta os erros cometidos no passado e assentará as bases para o futuro", afirmou.

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