Washington - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta que uma catástrofe pode acontecer caso a aprovação do plano de estímulo econômico em debate no Congresso seja adiada.

Num ato no qual anunciou limites aos bônus pagos aos executivos de empresas que recebem dinheiro do Estado, o governante, acompanhado do secretário do Tesouro, Tim Geithner, considerou "uma vergonha" e o "cúmulo da irresponsabilidade" diretores ganharem compensações elevadas enquanto suas empresas agem como "pedintes" importunando "os contribuintes".

Por isso, Obama anunciou que os executivos de empresas que recebem ajudas extraordinárias do Estado não poderão ganhar bonificações superiores a US$ 500 mil.

As empresas até poderão pagar mais a seus diretores, mas em ações que só poderão ser liquidadas depois que devolverem ao Estado o dinheiro que receberam para se salvarem da crise.

As companhias também terão que divulgar e justificar os benefícios ganhos por seus executivos. Além disso, o Governo imporá limites às indenizações pagas a diretores que deixarem uma empresa.

A longo prazo, o Executivo fará um estudo sobre como o pagamento de bônus excessivos contribuiu para uma cultura de desprezo ao risco, e implementará medidas para que os executivos recebam prêmios pelo crescimento de sua empresa em um espaço de tempo longo, não apenas num só trimestre.

"Pedimos a estas empresas que tomem responsabilidade e que reconheçam a natureza desta crise e o papel que desempenharam nela", declarou Obama, que considerou as medidas anunciadas hoje como fruto do "bom senso".

Por sua vez, Geithner disse que a crise pode ser atribuída em grande parte "à perda de confiança no sistema".

Os limites sobre os bônus dos executivos servirão para "fortalecer a confiança no sistema financeiro", acrescentou o secretário do Tesouro, que disse que recuperá-la "não será fácil e levará tempo".

Na semana passada, quando soube que no ano passado os executivos de Wall Street receberam mais de US$ 18 bilhões em bonificações, Obama já tinha dito que tomaria medidas a respeito.

No entanto, os passos anunciados pelo presidente receberam críticas dos que acham que, se as bonificações aos executivos forem limitadas, as empresas podem preferir não recorrer à ajuda do Governo justo quando mais precisam.

Em outubro de 2008, o Congresso americano aprovou um pacote econômico de US$ 700 bilhões para evitar o colapso do sistema financeiro e favorecer a concessão de créditos.

Até o momento, US$ 350 bilhões foram distribuídos, mas sem resultados tangíveis, o que fez Obama prometer uma maior fiscalização sobre o resto do dinheiro que for liberado.

No discurso que fez hoje, o governante americano, como nos últimos dias, apelou ao Congresso para que aprove o plano de estímulo econômico, já em cerca de US$ 900 bilhões, considerado imprescindível para salvar a economia.

"Um atraso na hora de tomar medidas (...) transformará a crise numa catástrofe e garantirá uma recessão mais longa, uma recuperação menos sólida e um futuro mais incerto", advertiu o chefe de Estado.

"Peço ao Congresso que atue sem atraso", afirmou Obama sobre o pacote, que já foi aprovado na Câmara de Representantes e que está em debate no Senado.

A oposição republicana já criticou duramente o plano de resgate.

Na opinião dos legisladores do partido, o pacote não ajudará a estimular a economia e representará um desperdício do dinheiro público.

Os republicanos propõem maiores cortes nos impostos e somas específicas para setores como o imobiliário, onde surgiu a crise atual.

Como está, o plano, que na versão da Câmara de Representantes chega a US$ 819 bilhões e na do Senado, a US$ 900 bilhões, reserva US$ 275 bilhões para isenções fiscais e cerca de US$ 500 bilhões para projetos de infraestrutura, energia e educação.

Obama admitiu que "nenhum plano é perfeito", mas declarou: "Não devemos fazer a perfeição inimiga do imprescindível".

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.