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Obama, EUA e a crise global

A eleição de Barack Obama não é um evento apenas americano, é mundial porque ocorre em um momento de profunda crise financeira e recessão, seja oficial ou não. A situação é tao grave que não se pode esperar 90 dias para a mudança de governo.

Agência Estado |

Seria uma imprudência imperdoável. Henry Paulson deve sair já, dando lugar ao novo secretário do Tesouro, que deve ser indicado logo por Obama.

TEM QUE MUDAR JÁ!

Na verdade, a faxina na área econômica do trágico governo Bush deve se iniciar já. Não há tempo a perder sob o risco de aprofundar-se a recessão americana e mundial, mesmo porque os contatos com a nova equipe já foram realizados. O nome do novo secretário do Tesouro, (equivalente ao nosso ministro da Fazenda) deve ser de tal peso que traga mais tranqüilidade ao sistema financeiro e à economia, não apenas americana, mas mundial.

É preciso algo muito mais que o socorro ao abalado sistema financeiro. É preciso que se apliquem logo as medidas necessárias para estimular a demanda interna, peça-chave do crescimento americano. Custe o que custar e mesmo ao peso de um aumento do déficit fiscal dos EUA. Ele está em torno de US$ 500 bilhões, pode chegar a US$ 1 trilhão até o fim do ano, passando de 3,5% para 7% do PIB. A economia americana pode suportá-lo por algum tempo, desde que seja para voltar a crescer e evitar mais desemprego e maior dano social.

SÓ CRESCE COM CONSUMO

No entanto, a economia só voltará a crescer quando o crédito e a credibilidade retornarem e as exportações continuarem pelo menos nos níveis atuais. Como? Com mais redução dos juros, consolidação das dívidas hipotecárias, saneamento e reerguimento do mercado imobiliário, estímulo e até mesmo subsídio ao consumo. Não é a receita da coluna, é do Nobel de Economia, Paul Krugman, com o qual quase todos concordam porque o cenário se agravou muito.

Mais ainda, as prestações atrasadas dos mutuários, mesmo os pouco responsáveis, não podem continuar sendo transformadas em "ativos financeiros". Elas foram negociadas e renegociadas, dando origem a tudo isso que está aí. Obama e sua equipe econômica devem dar um basta a esse festival de insensatez que empolgou não só os EUA mas o mundo nos últimos quatro anos. E ele pode fazer isso porque o sistema financeiro já está capitalizado, há dinheiro de sobra para aplicar.

Parece que o atual governo americano já está convencido disso, mas sua credibilidade declinou muito com o imperdoável atraso em agir. E, quando agiu, foi tímido e confuso. E está atrasado novamente, pois ainda não deu indicações de aprovar logo a proposta do Congresso de dispor de mais US$ 300 bilhões para incentivar a demanda interna. Não se pretende apenas "doar" dinheiro aos americanos, para que gastem mais. Está provado que isso dura pouco e acabaram logo os US$ 176 bilhões do pacote anterior. O que se pretende agora é aliviar a dívida das famílias,inclusive hipotecárias (passa de US$ 12 trilhões) deixando-as com mais recursos para voltar a consumir; um consumo que gera 70% do PIB americano.

ELES AINDA PESAM MUITO

Mas a coluna não estaria exagerando ao afirmar que o resultado da eleição nos Estados Unidos é um acontecimento mundial? Não. Mesmo com o rápido crescimento da China, eles têm imenso peso na economia global. Vejam e avaliem os números oficiais do governo americano, da OMC e do FMI:

1. O PIB, Produto Interno Bruto, é de US$ 13,4 trilhões, e representa nada menos que 27% do PIB mundial.

2. Os EUA importavam até o ano passado US$ 2 trilhões, ou seja, 14% das importações mundiais. Esse valor deve estar recuando para algo em torno de US$ 1,8 trilhão, por causa da crise. Mesmo assim, ainda é muito, num comércio mundial de US$ 14 trilhões, que recua.

3. Eles representavam 8,3% das exportações em 2007. Neste ano, porém, as exportações americanas aumentaram em torno de 15%, taxa de crescimento que não deve se sustentar por causa da retração econômica.

4. A China ultrapassou os EUA neste ano nas exportações, com 8,7% do total, mas ainda é um país fechado, importa apenas 6,7% do que se compra no mundo. Os EUA continuam a ser o país mais aberto para afluxo de capitais e comércio.

5. Mesmo com uma redução do déficit comercial pelo aumento das exportações, eles têm saldo negativo no comércio exterior de quase US$ 700 bilhões (chegou a ser de US$ 848 bilhões). Ou seja, continuam a ser o maior comprador do excesso de produção de todos os países.

SERÁ QUE AGÜENTAM?

Mas os EUA poderão superar mais essa recessão, como conseguiram nas anteriores? Quais são os principais obstáculos internos e externos? Já vimos o que eles pesam na economia mundial. E o que representam para o Brasil? Afinal, até setembro o mercado americano absorveu 15,9% das nossas exportações e 37,9% das importações.

Continuam a ser o maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente da soma dos 27 países da União Européia. Esse será o tema da coluna no domingo, completando o cenário conturbando ao qual chega Barack Obama, sob o olhar angustiado e esperançoso do mundo.

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