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Obama diz que EUA estão vivendo catástrofe e sonho americano ao avesso

O presidente Barack Obama declarou nesta sexta-feira que seus compatriotas estão vivendo uma catástrofe econômica e um sonho americano ao avesso, após um forte recuo do crescimento que mostra, segundo ele, a urgência do plano de recuperação.

AFP |

"É uma catástrofe para as famílias de trabalhadores americanos", disse Obama na Casa Branca, depois da publicação dos novos números do Produto Interno Bruto (PIB).

"É como um sonho americano ao avesso", acrescentou, mencionando os relatos de americanos que perderam seu trabalho e sua casa que colheu durante sua campanha.

"A recessão está se agravando, a urgência causada pela crise econômica é cada vez maior. Atingimos ontem (quinta-feira) um novo patamar, com o maior número já registrado de americanos que recebem seguro-desemprego. Cada dia que passa parece estar trazendo sua parcela de demissões, de empregos perdidos e de vidas abaladas. Perdemos 2,6 milhões de empregos no ano passado, e 2,8 milhões de pessoas que queriam trabalhar em tempo integral tiveram de se contentar com um trabalho em tempo parcial", declarou.

O PIB dos Estados Unidos conheceu no quarto trimestre de 2008 uma baixa de 3,8% em ritmo anual, seu maior recuo desde o primeiro trimestre de 1982 (-6,4%), segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira.

Contudo, o PIB caiu menos que o previsto, já que os analistas esperavam uma queda de 5,4%. Trata-se, porém, do segundo trimestre consecutivo de baixa, algo que não acontecia desde 1990-1991.

"Os americanos precisam que atuemos agora", insistiu Obama, que está se esforçando para convencer o Congresso a aprovar um gigantesco plano de recuperação econômica para salvar ou criar 3 a 4 milhões de empregos.

A Câmara dos Representantes aprovou na quarta-feira uma primeira versão deste plano, avaliado em 819 bilhões de dólares divididos em cortes de impostos, investimentos em obras públicas, ajudas aos governos locais e medidas sociais.

O Senado deve examinar sua própria versão na próxima semana. As duas câmaras do Congresso, onde os democratas são majoritários, deverão em seguida chegar a um acordo sobre um texto final. Obama quer o texto na sua mesa até do dia 16 de fevereiro.

"Espero que possamos continuar reforçando o plano no Senado", disse Obama, deixando implicitamente a porta aberta à negociação com seus adversários republicanos. Todos os republicanos da Câmara votaram contra o plano na quarta-feira, apesar dos esforços empreendidos pelo presidente para convencê-los.

"O que não podemos fazer é ficar mais tempo sem agir. Os americanos esperam de nós uma ação, e é justamente isso que pretendo fazer como presidente dos Estados Unidos", afirmou.

lal/yw/sd

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