O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve reunido neste sábado na Casa Branca, em Washington, com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para falar do etanol, da crise econômica mundial e do estreitamento da parceria entre os dois países para o comércio, além da ajuda a outros países da América Latina e da África.

AP
Os presidentes Lula e Obama na Casa Branca, onde concederam entrevista

Em uma declaração pública feita pelos dois após o encontro, Obama ressaltou que no campo do biocombustível, "Brasil e Estados Unidos" precisam unir forças "para ajudar outros países da região".

Segundo Obama, o trabalho do Brasil na área do biocombustível é avançado. Reconheceu que o assunto é motivo de "tensão" entre os dois países, mas afirmou que o sistema "não vai mudar do dia para a noite".

Uma das principais demandas de Lula é fazer com que os Estados Unidos derrubem as barreiras para o biocombustível. O brasileiro disse não esperar mudanças imediatas e que esse é um processo a ser construído entre os dois países.

Lula falou sobre a importância da eleição de Obama para o mundo e para a América Latina. Ele foi o primeiro presidente latino-americano a se encontrar com o novo presidente americano. Antes de assumir o cargo, Obama havia se encontrado com o presidente do México, Felipe Calderón.

Na agenda de hoje, Lula e Obama discutiram a crise econômica mundial, cujo início foi deflagrado nos Estados Unidos. O presidente brasileiro tem defendido uma saída consensual para que os países cheguem à reunião da cúpula do G-20, em Londres, no início de abril, com propostas convergentes para acabar com a crise.

"Obama e eu estamos convencidos que esta crise econômica pode ser resolvida com decisões políticas", declarou Lula. Para ele, é preciso "restabelecer a credibilidade e a confiança da sociedade" para que a crise comece a ser revertida. "Precisamos restabelecer a confiança no governo e para isso precisamos fazer com que o crédito volte a fluir normalmente dentro de cada país."

Como era previsto, o presidente brasileiro mostrou preocupação com a possibilidade de volta do protecionismo nas relações comerciais - assunto que era tratado por ele, antes do encontro, como "tema urgente". "É extremamente importante que todos os dirigentes que participam do G-20 estejam convencidos de que as decisões têm de ser mais rápidas. O número de desempregados de hoje é o problema social de amanhã", disse Lula.

O presidente brasileiro defende a retomada da Rodada Doha, negociação entre os 153 países que compõem a Organização Mundial do Comércio (OMC), iniciada em 2001 no Quatar, que tenta diminuir as barreiras comerciais entre os países. Segundo ele, a crise precisa ser combatida com "decisões políticas".

A crise é considerada uma agenda sensível para Lula. O presidente quer evitar que um prolongamento da crise acabe influenciando em seus altos índices de popularidade e prejudique os planos de fazer da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora.

A ministra foi uma das presentes ao encontro. Na primeira parte da agenda, Obama recebeu Lula para uma reunião ampliada na sala de conferências ao lado do seu gabinete, a Roosevelt Room, na Casa Branca. Acompanhavam Lula, além de Dilma, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, o assessor para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, e o embaixador brasileiro nos EUA, Antonio Patriota, além de uma tomadora de notas. Do lado americano, a única confirmação era a do conselheiro de segurança nacional, James Jones. Após a primeira parte do encontro, os presidente tiveram uma reunião sem a presença dos assessores.

Presentes - Lula chegou à Casa Branca por volta do meio-dia e entregou o prisma feito com pedras brasileiras e prata, de cerca de 15 cm, que entregou a Obama. A troca de presentes entre os presidentes faz parte do protocolo. Outro tema tratado no encontro, segundo eles, foi a parceria entre Estados Unidos e Brasil para trabalhar na África. "Discutimos a possibilidade de trabalharmos juntos na África e também para uma política de desenvolvimento da América Latina", declarou Lula.

O presidente brasileiro ainda fez uma brincadeira com Obama dizendo que "rezava" por ele e não queria "estar na sua pele" - em referência à crise surgida no País e que abalou o mundo. Antes do encontro com Obama, o presidente Lula se encontrou com o presidente da maior central sindical dos Estados Unidos, a AFL-CIO, John Sweenwy. Amigo de Sweeney antes de assumir a Presidência, Lula fará um gesto de retribuição aos sindicalistas da AFL-CIO que em outras ocasiões tomou posição pública de defesa ao presidente brasileiro.

Um dos assuntos que também estavam previstos para ser discutido no encontro foi o caso do garoto Sean Goldman, de 8 anos. Há quatro anos seu pai norte-americano David Goldman luta pela guarda do filho que mora no Brasil. David casou-se com a brasileira Bruna Ribeiro em 1999 e em 2000 nasceu Sean, nos EUA. Quatro anos depois Bruna voltou ao Brasil com o filho e pediu divórcio. Em agosto do ano passado ela morreu, após complicações no parto de um filho com um novo marido. Sean continuou a viver no Brasil com o padrasto que se recusa a devolver o menino.

No Rio de Janeiro, onde mora o menino, duas manifestações estavam previstas para este final de semana - uma em favor e outra contra a guarda pelo pai biológico. A agenda de Lula nos Estados Unidos termina hoje, em Nova York, com uma palestra em seminário sobre a economia brasileira e oportunidades de investimentos no País.

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