A crise nos mercados financeiros mundiais - em conseqüência da falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers - foi tema das campanhas eleitorais dos dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos ontem. Enquanto o republicano John McCain aproveitou para fazer promessas de reformas para enfrentar os problemas na economia, o comitê de campanha do democrata Barack Obama partiu para o ataque à política econômica dos republicanos.

Em nota, Obama disse não culpar McCain diretamente pela turbulência financeira, mas a filosofia econômica defendida pelo senador. "É uma filosofia que tivemos durante os últimos oito anos, e diz que deveríamos dar mais aos que mais têm e acreditar que a prosperidade chegará aos demais", declarou.

"O país não pode permitir outros quatro anos dessa filosofia fracassada", afirmou Obama, que disse estar pedindo há anos a modernização das regras financeiras para responder aos desafios do século 21 - regras que, segundo ele, protegeriam os investidores e consumidores americanos.

O senador insistiu nessa idéia durante comício no Colorado, ontem. Ele disse que McCain não entende dos apertos que a maior parte de seus compatriotas enfrenta. "Não é que eu pense que McCain não se importa com as vidas dos americanos, simplesmente acho que ele não os conhece", afirmou. "Caso contrário, ele teria dito, há apenas algumas horas, que os fundamentos da economia ainda são sólidos?"

Obama se referia a uma declaração feita por McCain na Flórida: "Pode ser que meus oponentes não estejam de acordo, mas os fundamentos (da economia americana) ainda são sólidos", defendeu o republicano.

Em nota, o candidato qualificou de "essencial" que os EUA mantenham o status de principal mercado financeiro do mundo. Essa será uma das "prioridades de meu governo", comentou o senador, acrescentando que, para conseguir seu objetivo, iniciaria uma "grande reforma" em Washington e Wall Street.

As palavras de McCain coincidiram com o lançamento de novo anúncio televisivo no qual lembra as suas propostas econômicas de lutar contra os juros especiais e de criar regras mais duras em Wall Street, incluindo a sua promessa de reduzir os impostos e autorizar explorações petrolíferas em alto-mar.

O anúncio "Crisis" começa com o narrador falando: "Nossa economia está em crise. Apenas reformistas comprovados como John McCain e Sarah Palin (a candidata à vice-presidente na chapa republicana) podem regulá-la." A narração é intercalada com imagens da Bolsa de Valores de Nova York, enquanto o nome do banco de investimento Lehman Brothers aparece na tela.

O comercial acaba com uma foto de McCain e Palin e a palavra "experiência", mas nenhum dos dois tem longo histórico em assuntos econômicos. McCain foi membro da Comissão de Comércio do Senado, mas se especializa em temas de política externa. Palin, por sua vez, é governadora do Alasca há menos de dois anos.

A campanha de Obama, no entanto, diz que McCain de "não movimentou um dedo" para reformar as leis que poderiam ter evitado a crise enquanto o senador esteve em Washington durante 26 anos. Além disso, o comitê do democrata criticou McCain por propor cortes fiscais multimilionários para as grandes empresas, mas "nem um só centavo" para os mais de 100 milhões de americanos preocupados com suas economias e suas hipotecas.

As turbulências em Wall Street dominaram também os discursos dos candidatos à vice-presidência Sarah Palin e Joe Biden. A republicana disse, em comício no Colorado, que ela e McCain lutarão contra os juros e iniciarão acertos eficientes que impeçam que a crise se repita. "Vamos acabar com a má gestão e os abusos em Wall Street", prometeu sem dar detalhes.

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