Os executivos dos grandes bancos deveriam renunciar aos bônus milionários recebidos; e os da indústria automotiva precisariam parar de utilizar jatos particulares no contexto atual de crise, estimou o presidente eleito americano Barack Obama, reprovando a eles o fato de se mostrarem alheios à realidade do país.

A desistência por parte de dirigentes de bancos a suas compensações anuais, num momento em que o governo precisa desencalhar vários estabelecimentos americanos, seria "um exemplo de responsabilidade", considerou, em entrevista à rede de televisão ABC que deve ser divulgada nesta quarta-feira.

"Se vocês já possuem 10 milhões de dólares e precisam desempregar funcionários, o mínimo que podem fazer é dizer +estou pronto para fazer sacrifícios, eu também, porque reconheço que pessoas mais em pior situação passam por um período muito mais difícil+", declarou Obama à ABC, segundo trechos divulgados na noite de terça-feira.

Ele também reprovou com severidade os dirigentes de três grandes grupos automotivos americanos, criticados nos Estados Unidos por terem se deslocado a Washington em jatos particulares para pedir dinheiro ao Congresso para evitar a falência de suas empresas.

"Pensei a princípio que eles estivessem talvez surdos ao que se passa nos Estados Unidos atualmente", declarou Obama.

"É um problema crônico, não apenas na indústria automotiva (...) (mas) entre os capitães da indústria em geral", considerou.

"Quando pessoas recebem centenas de milhões de dólares de bônus em Wall Street e arriscam o dinheiro dos outros, isso mostra que não têm nenhuma idéia de como vivem os americanos comuns".

E quando os "fabricantes de automóveis (americanos) recebem de pagamento bem mais que os colegas (asiáticos) da Toyota ou Honda, e perdem, no entanto, muito mais rapidamente que os construtores japoneses, isso me diz que não vêem nada do que acontece".

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