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Obama acusa China de usar câmbio para vantagem comercial

WASHINGTON - O novo presidente dos EUA, Barack Obama, acredita que a China manipula sua política cambial para promover as exportações de suas indústrias e poderá ampliar no futuro as pressões para que os chineses revejam essa prática, indicou o próximo secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner. Em respostas por escrito a um extenso questionário que recebeu do Senado, Geithner sugeriu que o governo americano poderá adotar um tratamento mais duro com a China nessa área.

Valor Online |

" O presidente Obama, apoiado pelas conclusões de um amplo grupo de economistas, acredita que a China está manipulando sua moeda " , escreveu Geithner.

Mas ele também deu sinais de que reconhece as vantagens dos mecanismos de pressão diplomática mais brandos empregados por governos anteriores: " A questão agora é como e quando abordar o assunto de maneira que os benefícios sejam maiores que os prejuízos " , disse. A indicação de Geithner para o Tesouro foi aprovada ontem pela Comissão de Finanças do Senado.

A China adquiriu nos últimos anos centenas de bilhões de dólares para reforçar suas reservas e manter desvalorizada sua moeda, o yuan. Essa política ajuda a tornar seus exportadores mais competitivos e transformou a China em alvo de ataques frequentes do Congresso americano, por causa das perdas sofridas por indústrias americanas que não conseguem mais competir com seus rivais chineses.

Por determinação do Congresso, o Tesouro precisa publicar duas vezes por ano um relatório de avaliação das políticas cambiais adotadas pelos parceiros comerciais dos EUA. Mas o Tesouro sempre evitou condenar o regime cambial chinês como " manipulador " , porque isso abriria caminho para o Congresso erguer barreiras comerciais contra as mercadorias chinesas.

A imposição de sanções ajudaria os congressistas a agradar seus redutos eleitorais, mas criaria dificuldades para empresas americanas que dependem de fornecedores chineses e geraria tensão na relação dos EUA com um país crucial para sua estabilidade financeira. A China é o maior credor externo dos EUA, com 22% de todos títulos do Tesouro em mãos de estrangeiros.

Obama apresentou no Congresso um projeto para proteger empresas ameaçadas pela competição com a China quando era senador e falou grosso com os chineses durante a campanha eleitoral. Mas não há nenhuma evidência de que ele esteja pensando em seguir o mesmo caminho agora que virou presidente.

" A nova equipe econômica vai desenhar uma estratégia integrada para melhor alcançar o realinhamento da moeda [chinesa] " , escreveu Geithner em suas respostas aos senadores. " De forma geral, a melhor maneira de assegurar que os países não manipulem suas moedas é demonstrar que as desvantagens ao fazer isso são maiores do que os benefícios. "
Geithner disse que o debate sobre o sistema cambial chinês será parte de um diálogo mais amplo entre os EUA e a China, e a prioridade para os americanos agora será a crise atravessada pela economia mundial. " O yuan é certamente parte importante da discussão, mas dada a crise o foco imediato precisa ser na questão mais ampla de estabilizar a demanda doméstica na China e nos EUA. "
Uma mudança brusca no regime cambial chinês agora criaria outros riscos para a economia global, afetando as exportações chinesas e desacelerando ainda mais a atividade econômica no mundo. " Nosso objetivo imediato deve ser convencer a China a adotar um pacote de estímulo econômico mais agressivo e fazer nossa parte aprovando um pacote de estímulo semelhante aqui " , escreveu.

(Ricardo Balthazar | Valor Econômico )

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