O novo dono de Apple está satisfeito? Por Juliana Rocha São Paulo, 29 (AE) - Oi, eu era um PC. Agora eu também sou um Mac.

" Essa poderia ser a paródia brasileira do divertido comercial da Apple nos EUA. Com a rendição da companhia de Steve Jobs aos chips Intel e, parcialmente, ao Windows - e a ajuda da maré baixa do dólar durante boa parte deste ano -, diversos "PCzeiros" venceram o medo e migraram para o concorrente.

A "febre da maçã" também foi deflagrada pelo sucesso de produtos queridinhos como o iPod e o iPhone, que se tornaram os primeiros equipamentos da Apple a cair nas mãos de muitos brasileiros. Parte deles se animou e resolveu investir em máquinas mais caras.

Marina Íris, de 25 anos, mordeu a maçã ao comprar um iPod Touch. E não parou mais. Em outubro, arriscou comprar um portátil Macbook. Dois meses depois voltou à loja para levar o computador de mesa iMac. "Eu me encantei pelo visual do Mac OS X (sistema operacional da Apple) e pela rapidez com que o Photoshop (software para edição de imagens) carrega."
Mas será que os brasileiros que se aventuraram nesse "novo mundo" se adaptaram? Tiveram problemas? Estão satisfeitos? Ou se arrependeram?
O engenheiro Pedro Ivo Dantas, de 28 anos, foi conquistado em julho, quando comprou o portátil MacBook Pro "com 2 GB de memória RAM e chip Intel Core 2 Duo, lindo". Ele elogia o baixo ruído gerado pela máquina e a intuitividade do sistema operacional Mac OS X. "Ao mudar de sistema, cumprimos uma curva de aprendizado, mas foi menor do que eu esperava. E o desempenho do Mac rivaliza até com o de desktops de configurações mais robustas."
Outro migrante, Bruno Magrani, de 27 anos, é mais comedido e critica a mão-de-ferro que segura a maçã: o design fechado tanto para o hardware como para o software impediria a experimentação por parte dos usuários. "Dá saudade a chance de fazer upgrade de peças individualmente e ver como tudo funciona", diz. "O Mac tem vantagens quanto à facilidade de uso e à estabilidade. Mas, por ser tão vedado, acaba prejudicando a inovação."
Usuário voraz de computadores, o pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV queria rodar diferentes sistemas operacionais. "Precisava de uma máquina que não me deixasse na mão. Hoje rodo Mac OS X, Windows XP e Ubuntu (uma versão de Linux). Às vezes, simultaneamente."
Magrani admite que o dólar então a R$ 1,73 influenciou a compra de seu MacBook Pro, equipado com chip Intel Core 2 Duo 2.2 GHz, 2 GB de RAM, HD de 120 GB e placa de vídeo Nvidia GeForce 8600M. Com o aprofundamento da crise nos EUA e seu alastramento, o dólar disparou no Brasil e não se sabe em que patamar ficará.

Caso o cenário econômico desfavorável perdure, os produtos da maçã ficarão inevitavelmente mais caros, mas, segundo Gilberto Porto Barbosa, professor da Universidade de Brasília, não devem sofrer tanto porque a Apple conseguiu tornar sua marca sinônimo de qualidade, confiabilidade e inovação. "Quando isso acontece, o preço deixa de ser relevante para o consumidor", diz. A configuração de entrada do MacBook sai a R$ 2.999; e a do iMac, a R$ 3.999.

A Apple não divulga números de venda por país, mas na terça-feira passada anunciou a venda recorde de 2,6 milhões de Macs nos últimos três meses. Embora a marca impressione, está distante de ameaçar a hegemonia dos "tijolos" - forma pejorativa usada pelos applemaníacos para se referirem aos PCs. Dados da consultoria Gartner mostram que 80,5 milhões de PCs foram vendidos de julho a setembro deste ano.

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