Até R$ 3.180 de desconto na compra à vista de um veículo, no caso, um Ford Fiesta.

Esse foi o desconto máximo - cerca de 10% do preço - que a reportagem do JT conseguiu após visitar oito concessionárias da Capital e barganhar, no papel de consumidor, uma redução no preço em troca do pagamento no ato.

Embora hoje seja possível financiar um automóvel a prazos longos (parcelamento em até 99 vezes) e juros baixos (as taxas variam entre 1,2% e 2% ao mês), pagar à vista continua sendo a opção mais vantajosa. "Ao fugir das prestações, o consumidor se livra dos juros, que encarecem muito o preço final do produto", aconselha Andrew Storfer, economista e vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Administração, Finanças e Contabilidade (Anefac). Em financiamentos de cinco anos, por exemplo, o valor final do carro chega a ser 50% maior que o inicial.

"A dica para fazer um bom negócio na compra de um carro é pedir desconto sempre", ensina Fábio Gallo, professor de Finanças da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP).

Foi o que fez o comerciante Marcelo Canova, de 38 anos. Ele sempre prefere juntar dinheiro para comprar à vista. Assim, além de não acumular dívidas, Canova consegue negociar um preço melhor.

Dessa forma, ele economizou R$ 4 mil na compra de um automóvel em 2004. Na época, o Chevrolet Montana que Canova comprou custava R$ 39 mil. Com o dinheiro na mão, ele fez a concessionária baixar o preço para R$ 35 mil. "O valor que economizei deu para cobrir outras despesas, como o seguro e a documentação do carro", explica.

Quem pechincha sempre consegue fazer o dinheiro render mais. "Mesmo quando as concessionárias não dão desconto, elas oferecem opcionais para o veículo. Na prática, isso é um desconto também", afirma o professor Gallo.

Porém, o especialista diz que o comprador deve ficar atento para não cair numa armadilha. "Nesses casos, em vez de o consumidor pagar menos pelo veículo, ele acaba sendo induzido a levar um carro diferente do que se interessou inicialmente", observa.

Mas quando o consumidor não tem condições de juntar dinheiro para só então comprar o carro, a dica é reduzir o prazo do financiamento. "Hoje é possível financiar um veículo em muitas vezes. Mas o comprador deve ter em mente que um carro se deprecia em cinco anos", recomenda Gallo.

Para o professor, o período ideal de financiamento de um veículo deve ser de, no máximo, dois anos. "Para estipular o prazo de pagamento, o comprador deve observar o tempo de garantia e de depreciação do carro", ensina Gallo. "Não se deve ultrapassar esse período, caso contrário o financiamento pode se tornar um mau negócio."

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