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O mundo visto pelos olhos de um romântico

O mundo visto pelos olhos de um romântico Por Bruno Galo e Antônio Gonçalves Filho São Paulo, 10 (AE) - Criativo, esse costuma ser o adjetivo mais usado para descrever Michel Gondry e o seu trabalho. Através de truques simples, low tech, ele nos encanta, surpreende e cria tendências que mais tarde acabam assimiladas pela indústria do entretenimento.

Agência Estado |

O recurso de brincar com a passagem do tempo - fazendo pequenas pausas -, por exemplo, na qual Gondry foi pioneiro, em clipes como Like a Rolling Stone, com os próprios Rolling Stones, e Army of Me, com Bjork, ambos de 1995, deu as caras em Hollywood com Matrix (1999). A diferença é que, enquanto em Gondry o efeito é visceral, meio imperfeito, em Matrix ele é limpo, tecnicamente perfeito.

"Eu me sentiria limitado como criador se me submetesse unicamente à tecnologia", disse Gondry em entrevista por telefone, antes de aterrissar em São Paulo para o lançamento da exposição interativa "Rebobine, Por Favor", baseada no filme homônimo, dirigido por ele.

Na comédia, com estréia prevista para sexta-feira (12), Jack Black e Mos Def vivem uma dupla que, após apagar acidentalmente as fitas VHS da locadora em que um deles trabalha, passa a recriar os filmes destruídos (como Robocop e Os Caça-Fantasmas) em versões toscas ou "suecadas" (sweded, em inglês), como eles chamam no filme.

Mesmo antes do lançamento, Gondry explorou, com grande sucesso, a "suecagem" (veja em www.youtube.com/bekindmovie) na campanha de marketing do longa. A brincadeira virou até mania no YouTube. É possível encontrar versões de fãs para Kill Bill, O Senhor dos Anéis, Forrest Gump, entre muitos outros.

"Hoje, com a tecnologia é possível fazer qualquer coisa, quase não há desafio. Gosto de trabalhar de forma mais artesanal. E, mesmo quando uso o digital, quero que as pessoas tenham a sensação de que podem tentar recriar aquilo em casa", explicou Gondry, em coletiva para a imprensa, durante sua passagem pelo País.

Na conversa com a mídia, ele esbanjou simpatia e bom humor, apesar de sua visível timidez. Em um dos momentos mais curiosos do encontro, Gondry brincou com a mediadora/tradutora - em uma cena que parecia tirada do filme "Encontros e Desencontros" (2003), de Sofia Coppola. "Eu só falei isso?", perguntou à la Bill Muray.

A idéia do "faça você mesmo" está na essência da exposição, que fica no MIS, em São Paulo, até 11 de janeiro. Lá visitantes previamente inscritos no site do evento (www.rebobineporfavorexposicao.com.br) podem criar os seus próprios curtas em cenários reais do filme.

Essa vontade de incentivar as pessoas a "botarem a mão na massa" já é antiga no trabalho do diretor. Nos extras do DVD do mais famoso longa de Gondry, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (2004), o diretor mostra de forma minuciosa diversos truques usados na produção, que lhe rendeu o Oscar de melhor roteiro. Em www.tinyurl.com/brilhoeterno é possível ver um pequeno e interessante exemplo.

INVENTOR - Ainda criança, Gondry adorava brincar com o seu irmão de "fingir de filmar". Mas ele queria mesmo era ser inventor - criador de traquitanas, assim como seu avô. O trabalho como diretor começou meio por acaso em 1988. Gondry era baterista da banda de rock francesa Oui Oui, quando começou a produzir clipes em animação - sua preferência - para divulgá-la. "Considero a animação o veículo ideal para expressar as minhas idéias", conta. Não demorou até a cantora Bjork se encantar pelo suas criações e convidá-lo para dirigir o seu primeiro trabalho solo, Human Behavior (1993). A partir daí, Gondry não parou mais. E o número de obras notáveis desse socialista assumido é impressionante.

A sua fértil imaginação está presente em praticamente toda a sua obra, não como um fim em si, mas como um meio para embalar a sua visão romântica e autobiográfica de mundo. Da luta para ser aceito, de Na Natureza Quase Humana (2001), à força de um amor sem fim, de Brilho Eterno (2004), passando por um sujeito que vive "no seu mundo", de "Sonhando Acordado" (2006), até a declaração de amor a magia do cinema, em "Rebobine, Por Favor" (2008), é possível identificar sempre a faceta romântica de um sujeito que se confessa antiquado. "Gosto de escrever a mão. Acho até mais fácil", conta ele, que proibiu seu filho de 11 anos de ter um videogame em casa e não é muito ligado em gadgets. "Não tenho paciência", diz.

Gondry é o primeiro a não se levar muito a sério e àqueles que vêem o seu trabalho como uma forma de arte ele diz: "Não tenho essa pretensão, tampouco de ensinar alguém. Quero fazer as pessoas se divertirem e quem sabe estimulá-las".

Passados tantos anos desde o seu sonho infantil, ele não se tornou um criador de traquitanas, mas de certa forma acabou se tornando um inventor. Só que de imagens e conceitos inovadores. C

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