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O golpe da gasolina no balde a R$ 1

Há vários anos, pequenas empresas de transporte de combustível vendiam gasolina a granel, no meio da rua, nas proximidades das distribuidoras localizadas no bairro dos Pimentas, em Guarulhos, na Grande São Paulo. No balde, era possível comprar por R$ 1,60 o litro - enquanto, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio do combustível no Estado era de R$ 2,385.

Agência Estado |

Mas isso só era possível graças a um esquema de fraude que começou a ser desmontado ontem pela Polícia Civil de São Paulo, a do petrobalde.

Para conseguir preço do litro tão baixo, montou-se um esquema em que simplesmente não se entregava toda a quantidade de gasolina, álcool ou diesel paga pelos revendedores e pelo governo do Estado, que mantém postos próprios para sua frota.

O golpe consistia em utilizar um compartimento secreto dentro do tanque do caminhão, chamado de gaiola ou chiqueirinho. O combustível ficava retido nesse espaço e o caminhoneiro poderia liberá-lo ou não ao comprador oficial.

Estima-se que até 10% da capacidade total do tanque do caminhão poderia ser fraudada, o que resultava em lucro de R$ 3,2 mil, em média, por carreta - que tem capacidade para transportar 20 mil litros. A Corregedoria-Geral da Administração do Estado não descarta a participação de servidores públicos no golpe, que deu um prejuízo aos cofres públicos de R$ 8,2 milhões somente neste ano.

Cada gaiola desviava de 500 a 1 mil litros, sem causar desconfiança. "O conteúdo roubado estava dentro da margem de erro da medição", explica o perito do Núcleo de Identificação Criminal do Instituto de Criminalística Elias Maximiniano.

Ontem, foi realizada força-tarefa para combater a fraude, batizada de Operação Esqueleto. Foram vistoriados 158 caminhões e 12 acabaram flagrados com as gaiolas secretas. A polícia destacou ainda que a venda a granel, feita em baldes no meio da rua, não apresenta nenhuma segurança e expõe locais a risco iminente de explosões e incêndios.

De acordo com o delegado Olavo Reino Francisco, da Corregedoria, o esquema também começou a ser investigado quando se identificaram várias empresas de pequeno e médio portes com grandes caminhões de última geração, incompatíveis com a estrutura da companhia. "Verificou-se que os donos dessas empresas enriqueceram com a fraude e conseguiram comprar caminhões-tanque muito rapidamente." As informações são do O Estado de S. Paulo

*C/ Laís Catassini

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