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O encanador polonês inicia a volta para casa

Nacho Temiño. Varsóvia, 13 jan (EFE).- Meio milhão de poloneses já abandonaram o Reino Unido e Irlanda para voltar para casa e esse número deve aumentar nos próximos meses, sobretudo por causa da crise econômica, enquanto as principais cidades da Polônia lutam por atrair estes emigrantes e suas economias.

EFE |

Mas a crise financeira não é a única razão para fazer as malas e são muitos os poloneses que decidem retornar, simplesmente, porque adoram sua terra, mesmo com Londres e Varsóvia estando a menos de três horas de avião e os comércios com produtos da Polônia no Reino Unido terem se multiplicado nos últimos tempos.

"Sentia saudades a minha família, nosso ambiente, nossa vida aqui", explicou à Agência Efe Renata Majkowska, recém chegada a Varsóvia após trabalhar na Inglaterra por dois anos.

Após a entrada da Polônia na União Européia, o Reino Unido e Irlanda foram o destino preferido para os poloneses, com mais de 1 milhão de emigrantes desde 2004, uma autêntica onda que levou os tradicionais pubs irlandeses a servirem cerveja polonesa, além de Guinness, ou a se poder comprar salsichas polonesas em qualquer açougue.

Esta emigração, que mudou o rosto das ilhas, pode ter agora seus dias contados já que, como reconhece Renata, além dos sentimentalismos, a crise financeira é cada vez mais sentida e, de fato, se põem em perigo os postos de trabalho de 400 mil poloneses, razão demais para voltar antes que o barco afunde.

"A pergunta é se estes trabalhadores preferirão passar os maus tempos ali, ou se julgarão que na Polônia estarão mais seguros", explica a especialista em migrações Krystyna Iglickiej, que aposta por que o número de "pródigos" será cada vez maior.

Outra das chaves que impulsiona esta volta a casa é a perda de valor da libra, que valia sete zloti poloneses há cinco anos e hoje só vale quatro, o que torna cada vez menos rentável enviar dinheiro às famílias.

O retorno é um drama para alguns, mas um negócio para outros, como o caso dos promotores da Polônia, que já esfregam as mãos e veem na volta de seus compatriotas uma oportunidade de ouro para impulsionar a venda de casas, depois da estagnação que vive o setor nos últimos meses.

As principais cidades polonesas também se lançaram a captar a estes emigrantes e suas economias, um poderoso empurrão para a economia nacional nestes momentos de crise, o que levou as 12 Prefeituras poloneses mais importantes a iniciar um plano conjunto para facilitar o retorno.

A iniciativa dos municípios se une à do Governo Federal, que no ano passado já apresentou seu "Plano Retorno", um conjunto de medidas fiscais e trabalhistas incluindo a abertura de escritórios informativos em Dublin e em Londres.

O certo é que, apesar de se ver afetada pela crise internacional, a Polônia oferece perspectivas de crescimento para este ano que podem superar os 3%, com boas ofertas de emprego esperando os que decidirem fazer as malas e pegar o caminho de casa.

Porém, apesar da calorosa acolhida que oferece a administração polonesa, nem todo mundo planeja ir por uma razão evidente: o pagamento por hora na Polônia é de cerca de 4 euros, um quarto a menos do que se pode ganhar, por exemplo, na Irlanda.

Além disso, as prestações sociais são muito mais generosas no Reino Unido, onde após 12 meses de trabalho um emigrante do Leste da Europa pode se beneficiar de um completo leque de benefícios, incluindo subsídios para filhos e moradia, algo que pode encorajar a ficar a uma parte do meio milhão de poloneses que ainda residem na Grã-Bretanha, sobretudo as famílias. EFE nt/jp

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