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O desafio de disseminar o uso de serviços eletrônicos Por Rodrigo Martins e Bruno Galo São Paulo, 29 (AE) - Se os serviços eletrônicos da Prefeitura precisam melhorar, seu uso pelos cidadãos, também. O acesso à internet na cidade não é a questão principal.

Se a pessoa está estimulada a usar e não tem em casa, vai a um telecentro ou lan house, que custa de R$ 1 ou R$ 2 por hora", diz a pesquisadora Tânia Tonhati, que, para a sua tese de mestrado sobre o uso de serviços online na Prefeitura de São Paulo, acompanhou o dia-a-dia de três telecentros.

"As pessoas não sabiam que os serviços existiam. Nos telecentros, havia muitos jovens desempregados. Eles ficavam no MSN e no Orkut e não sabiam que poderiam se informar sobre como tirar uma carteira de trabalho, por exemplo."
A questão não é só em São Paulo. A pesquisadora da Universidade Federal da Bahia, Helena Pereira da Silva, fez um projeto semelhante em Salvador. "Muitos não estão acostumados a buscar o governo pela internet. Não sabem, por exemplo, que é possível fazer a declaração de isenção do imposto de renda e vão buscar postos físicos, pegando filas."
Segundo pesquisa do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (Cetic.br), quanto maior a renda mais propenso o cidadão está a acessar serviços de governo. Em todo o Brasil, 81% dos indivíduos da classe A usam. Já na classe D e E, apenas 7%.

No estudo, a justificativa de quem não usa o serviço não é a dificuldade de acesso (13%), mas a preferência pelo contato pessoal (49%). Outros responderam que se preocupam com a proteção de seus dados (15%) e que usar a web para falar com o governo é muito difícil (13%).

Para Tânia, a Prefeitura deveria informar a população. "Os próprios telecentros poderiam ensinar as pessoas a usar os serviços. Nas escolas, os professores poderiam esclarecer os alunos. Depois, eles ensinariam os pais.

CONFERINDO - O Departamento Fiscal da Secretaria dos Negócios Jurídicos da Prefeitura de São Paulo, no centro, é o setor que oferece atendimento para IPTU, um dos serviços mais abundantes no site da Prefeitura. Não havia filas. O taxista Roberto Max, de 48 anos, por exemplo, estava lá para parcelar o IPTU. Se ele gostaria do serviço via web? "Não tenho familiaridade com a rede. Se fosse tudo online, teria dificuldades. Prefiro vir aqui."
O contador Raimundo Alves, de 38 anos, também estava lá para parcelar o IPTU. "As pessoas me pagam para fugir da burocracia. Venho aqui pelo menos três vezes por semana. Não confio muito nos serviços da internet."
Já a advogada Tatiane Regina de Moraes, de 26 anos, consultou o site da Prefeitura, mas descobriu que a emissão de sua certidão negativa não poderia ser feita online. "Seria maravilhoso se desse para fazer tudo pela internet."