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Um terço do tempo que as pessoas dedicam à mídia é gasto com mais de um veículo de comunicação. Quem nunca observou os filhos na frente do computador, com a TV ligada, ouvindo música e falando ao celular ao mesmo tempo?, questiona Randy Covington, diretor do Ifra Newsplex, um centro de estudos de mídia da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos.

"O comportamento dos leitores está mudando, e os jornais precisam acompanhar esse movimento."

Segundo levantamento do Ifra Newsplex, entre os 100 maiores jornais americanos, 92 publicam vídeos em suas versões online; 95 têm blogs, 49 utilizam podcasts e 33 permitem que os leitores comentem suas matérias. "Esse último é um número que precisa ser melhorado, se os veículos querem aumentar a ligação com o público." Ele se mostrou otimista em relação aos jornais brasileiros. "Vejo empresas dispostas a tentar coisas novas."

Covington citou um diário da Áustrália como exemplo de integração com novas tecnologias e leitores. O jornal publicou notícias sobre uma bailarina que havia sido presa e pedia a opinião dos leitores sobre o assunto, via mensagem de celular. No dia seguinte, foram publicadas centenas de mensagens. "Pode apostar que todos que enviaram mensagens compraram o jornal para vê-las publicadas."

Outro exemplo, mais radical, é o do OhmyNews, de Seul, na Coréia do Sul. Os textos são enviados pelos moradores da cidade e passam por revisores na redação do jornal. "Os textos recebem um pequeno pagamento do jornal. Mas ao acessar o site, o leitor que gostar da matéria pode clicar na opção dar uma gorjeta ao repórter."

Desafio

Para Michael Smith, diretor do Media Management Center da Universidade Northwestern, nos EUA, o desafio dos jornais americanos hoje não é a falta de leitores. "O que caiu foram os anúncios. Os jornais precisam descobrir novos modelos econômicos para trabalhar." Ele acredita que isso poderá ocorrer no Brasil no futuro.

Um levantamento da consultoria PriceWaterhouseCoopers mostra que este ano, o investimento global na mídia jornal deve crescer 2,2%. Em tevê, o crescimento é de 5,9% e na internet, 19,5%.

Multimídia

Entre as estratégias apontadas por Smith, o uso de novas tecnologias e a criação de comunidades online de leitores estão entre as mais indicadas. "O Diário de Fredericksburg, na Virgínia, criou um fórum de discussão para os leitores comentarem os assuntos do jornal e do dia-a-dia", conta. "Além de espaço de integração, o fórum é uma fonte de pautas." Outro caso é do Florida Today, que possui bancos de dados online. "No site é possível acessar listas de quem foi preso recentemente."

Os especialistas americanos defendem que, num futuro próximo, as empresas terão de treinar seus jornalistas para produzir diversos tipos de conteúdo. "Hoje o trabalho termina quando o jornal é publicado. No futuro, ele vai estar apenas começando, pois após editar o texto, o jornalista terá de editar o áudio, o vídeo e pensar em outras maneiras para contar sua história em outras mídias", diz o diretor do Knight Center de jornalismo nas Américas, Rosental Alves.

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