Pressionado pelas especulações sobre a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá a nova taxa básica de juros, e pelas leituras sobre uma eventual politização da atuação do Banco Central por causa das eleições, o presidente do BC, Henrique Meirelles, veio a público ontem para reafirmar que a instituição tem autoridade para controlar a inflação, de forma técnica e autônoma. “O BC não precisa provar mais nada a ninguém”, disse Meirelles.

Pressionado pelas especulações sobre a decisão de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom), que definirá a nova taxa básica de juros, e pelas leituras sobre uma eventual politização da atuação do Banco Central por causa das eleições, o presidente do BC, Henrique Meirelles, veio a público ontem para reafirmar que a instituição tem autoridade para controlar a inflação, de forma técnica e autônoma.

“O BC não precisa provar mais nada a ninguém”, disse Meirelles. A condução da política monetária, segundo ele, fez com que a surpresa inflacionária passasse a ser “cada vez mais parte do passado”. Dessa forma, ele reforçou a impressão que a taxa de juros terá hoje uma elevação forte. A aposta da maioria dos analistas é de que a alta será de 0,75 ponto porcentual, mas há quem arrisque uma alta de 1 ponto.

Ao fazer tais afirmações, Meirelles quebrou uma tradição. Até agora, ele nunca havia falado sobre juros na véspera do Copom. Os recados foram dados durante cerimônia de posse do novo diretor de assuntos internacionais, Luiz Awazu Pereira da Silva. Diante da nova diretoria que, agora, é composta exclusivamente de nomes vindos do setor público, Meirelles rechaçou a tese de que a autoridade monetária tenha mudado. “Engana-se quem acha que houve mudança nessa administração. Não houve e não haverá”, disse.

Credibilidade

O discurso tenta afastar a avaliação incômoda do mercado de que o BC teria alterado sua atuação após episódios recentes, como a indecisão de Meirelles sobre o retorno à vida política e a mudança na composição da diretoria - que teve a saída de nomes de mercado como Mário Torós e Mário Mesquita. Ele quer reconquistar a credibilidade entre os economistas e, assim, afastar a imagem de que o BC estaria enfraquecido.

O principal argumento é que a instituição mantém o mesmo rumo há mais de sete anos: “Critérios técnicos e a autonomia operacional concedida pelo presidente da República”. No período, lembra, a inflação permaneceu dentro da meta, exatamente como manda o figurino. “Isso fez com que a surpresa inflacionária passasse a ser cada vez mais parte do passado”, disse.

Bastante à vontade, Meirelles até alfinetou críticos. Disse que algumas análises sobre o trabalho do BC parecem ter vindo de “outra realidade”. “É como se algumas pessoas estivessem acostumadas ao fracasso e à busca de culpados ou de motivações diversas. Quando, na realidade, hoje estamos administrando o sucesso”, afirmou, ao lembrar que alguns analistas buscam explicações fora do campo econômico para as decisões do Copom, como argumentos políticos.

Meirelles chegou a classificar como “peça de ficção” algumas discussões sobre a dinâmica das decisões sobre o juro. Ele se lembrou de conversa com um então integrante da diretoria no passado. “Eu disse a ele que muitas vezes se discutia a dinâmica dentro do Copom. E dei um conselho: leia, aproveite e divirta-se quando você está lendo uma coisa que sabe que é uma peça de ficção, literária”. Meirelles aproveitou para afirmar que cada diretor toma sua decisão individualmente. “Existe dificuldade de algumas pessoas em aceitar que cada diretor toma sua decisão de forma autônoma”, afirmou.

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