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O banqueiro social

Henrique Meirelles conseguiu impor o ritmo que quis ao BC sem desmontar a imagem que construiu de subordinado leal do presidente

Gustavo Gantois, iG Brasília |

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, conseguiu impor o ritmo que quis ao Banco Central e às oscilações da taxa de juros sem desmontar a imagem que construiu na Esplanada dos Ministérios de um subordinado leal do presidente da República. Sempre que indagado sobre o que faria caso saísse do governo, Henrique Meirelles devolvia a pergunta com uma declaração: "É muito difícil negar um pedido do presidente Lula".

Foi esta mesma dificuldade que o fez aceitar renunciar ao mandato de deputado federal para assumir o BC em 2003 -- atendendo a um pedido de Lula quando ninguém acreditava que os dois viessem a ter um relacionamento harmônico --, e que o fez agora aceitar o pedido para permanecer no cargo, mesmo sem garantias da eleição de Dilma Rousseff.

Henrique Meirelles chegou ao governo por um episódio ocorrido em 1989, ano em que Lula despontava para o Brasil em sua primeira tentativa de se eleger presidente. Dirigindo a Câmara Americana de Comércio àquela época, ele encantou o então coordenador da campanha petista, Aloizio Mercadante, quando chamou Lula para fazer um discurso na Amcham.

Desde então, Mercadante e Meirelles passaram a trocar teorias sobre distribuição de renda e, em 1994, fundaram a Fundação Travessia, ONG ligada a instituições bancárias e que mantém projetos sociais voltados a crianças de rua. A aproximação com o PT foi tão grande que Ricardo Berzoini, ex-presidente do partido, foi diretor-executivo da ONG.

O convite para o governo

Esse pendor social chegou a se manifestar durante a juventude. Meirelles chegou a entrar para a Juventude Estudantil Católica, mas sua visão estava mais para as obras assistenciais do que para revolução armada. Em 1963, fundou a Confederação dos Estudantes Goianos e fez questão de incluir nos estatutos que a entidade tinha por função cuidar das pessoas carentes.

Engenheiro civil por formação, Meirelles chegou a presidir o Centro Acadêmico da Politécnica, da Universidade de São Paulo (Poli-USP), em 1967. O engajamento não era radical - Meirelles sempre disse que não suportava os marxistas - mas foi o suficiente para ilustrar o currículo aos olhos dos petistas.

Um ano antes da eleição de Lula, Meirelles e Mercadante se reencontraram. Desta vez, José Dirceu também estava presente. Eles foram os porta-vozes do convite que Lula queria fazer, com base no lobby que faziam os também goianos Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, e Pedro Wilson, ex-prefeito de Goiânia. A sacada para o nome de Meirelles veio de uma entrevista feita a um jornal da capital goiana, na qual o recém-saído presidente do banco internacional dava sua receita para acabar com os juros altos no Brasil.

Realidades opostas

Essa dialética meirelliana permeou toda a sua vida profissional. Profundo conhecedor do mercado financeiro internacional, Meirelles estava mais para a raposa no galinheiro que seu antecessor Arminio Fraga, como foi acusado pelos detratores. E essa foi justamente a maior de suas vantagens na hora de atacar a especulação que insistia em assolar o Brasil tanto no começo do governo Lula quanto na crise financeira de 2008.

"Estive em 99% dos municípios goianos e vi o rosto de quem sente fome", relata Meirelles aos que perguntam como foi sua campanha a deputado federal, em 2002. "Não posso me furtar de pensar nessas pessoas quando tomo decisões sentado em uma cadeira em Brasília".

Meirelles brinca que teve apenas dois empregos em toda a sua vida. O segundo é o de presidente do BC. Mas o primeiro foi que o catapultou, como principal executivo do BankBoston por quatro anos, de 1996 até 1999. Após a fusão com o Fleet, Meirelles ficou abaixo apenas do CEO Terry Murray. Respondendo por toda a operação mundial do FleetBoston Global Bank, comandava 60% das operações totais da instituição, algo como US$ 220 bilhões.

Em 2002, quando se aposentou, tinha rendimentos anuais de US$ 1,5 milhão. Mas ganhou uma bolada de US$ 115 milhões, entre ações, bônus e comissões, quando se desligou do banco. Calcula-se que seu patrimônio chegue perto dos US$ 500 milhões, entre apartamentos em Goiânia, Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Nova York, e outros bens - mas se contar com as aplicações no mercado, que não revela nem sob tortura, estima-se que sua fortuna deva ultrapassar a casa do US$ 1 bilhão.


 

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