SÃO PAULO - Novas especulações a respeito da saída de Henrique Meirelles, presidente do Banco Central (BC), do cargo ao fim deste mês estão gerando o aumento dos prêmios de risco embutidos na curva de juros futuros nos negócios desta quarta-feira. De indicador brasileiro divulgado hoje, a primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) do mês não trouxe surpresas para o mercado. De acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação medida pelo IGP-M se desacelerou para 0,95% na primeira medição de março, depois da alta de 0,98% reportada em igual intervalo de fevereiro.

Os preços dos produtos agropecuários no atacado subiram 2,27%, invertendo a direção tomada no início do mês passado, de queda de 0,88%. Já os preços dos produtos industriais no atacado aumentaram 0,89%, menos que o verificado na parcial de fevereiro (1,81%).

"Está pesando sobre os DIs mais a questão da saída do Meirelles que o IGP-M. O indicador saiu um pouco acima da mediana do mercado, o que não quer dizer grandes coisas, ainda mais porque a primeira prévia é bem volátil. Além disso, o IGP não caiu mais por conta dos alimentos e todo mundo sabe que eles devem voltar a recuar", comentou o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otávio de Souza Leal.

Na avaliação do economista, apesar dos comentários de uma saída de Meirelles ainda neste mês, as atitudes do dirigente dão uma sinalização contrária.

No início desta semana, o dirigente do BC foi eleito presidente do Conselho Consultivo das Américas do Banco de Compensações Internacionais (BIS).

"Acho muito estranho Meirelles assumir um cargo desta importância e sair 15 dias depois. Acho que não condiz com sua postura", ressaltou Souza Leal.

Na parte longa da curva de juros, o Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2011, referência de mercado, registrava, há pouco, acréscimo de 0,01 ponto percentual na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), a 10,44%. Já os DIs dos primeiros meses de 2012 e de 2013 subiam 0,04 ponto e 0,01 ponto, respectivamente, a 11,57% e a 11,90%.

Na parte curta da curva, o DI com vencimento em julho de 2010, que divide as apostas entre alta de juros no primeiro ou segundo semestre, projetava taxa de 9,27%, tinha elevação de 0,03 ponto, enquanto o contrato de abril subia 0,014 ponto, a 8,768%.

Na gestão da dívida pública, o Tesouro realiza leilão de Notas do Tesouro Nacional Série B (NTN-B), que acontece via troca de títulos.

(Beatriz Cutait | Valor)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.