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Novo secretário da Agricultura toma posse após 130 dias de crise na Argentina

A posse de um novo secretário da Agricultura representa nesta quarta-feira a primeira mudança realizada pela presidente Cristina Kirchner em seu gabinete depois da suspensão dos impostos variáveis à exportação de grãos que pôs fim a um conflito agrário de 130 dias no país.

AFP |

A nomeação de Carlos Cheppi como novo secretário de Agricultura em substituição a Javier de Urquiza foi oficializada nesta quarta-feira com a publicação no Diário Oficial.

A mudança na equipe de governo é confirmada em meio a inúmeras versões sobre a iminente renúncia do chefe de Gabinete, Alberto Fernández, principal estrategista que a presidente herdou da gestão de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner (2003/7).

Cheppi, um engenheiro agrônomo, deixou a presidência do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) para assumir o novo cargo.

A mudança na Agricultura foi bem recebida pelos dirigentes rurais, fortalecidos pela queda no Senado dos tributos variáveis às exportações de grãos, o que forçou o governo a dar marcha a ré numa medida que era o eixo de sua política tributária.

"Ele tem conhecimento profundo do tema e é um homem com quem se pode dialogar. Temos uma longa agenda a discutir depois de tanto tempo afastado do governo por causa do conflito", comentou Luciano Miguens, dirigente da Sociedade Rural, que reúne latifundiários e produtores.

A Argentina deixou sem efeito os impostos que incidiam sobre as exportações de matérias-primas agrícolas, como soja, milho, girassol e derivados, depois da rejeição pelo Senado da iniciativa governamental.

A decisão está acompanhada de um apelo para que se debata uma nova política agropecuária para os pequenos agricultores.

Os pequenos agricultores haviam sido beneficiados pelo projeto do Governo com uma compensação tributária de uma taxa de 30% para a soja. Com a votação no Senado, porém, ela também foi anulada.

Os tributos cobrados sobre as exportações desses produtos sobre as vendas externas voltaram a ser de 35% - um percentual fixo para outras mercadorias, como era antes de 11 de março, quando o Governo tentou impor alíquotas móveis.

No caso da soja, os tributos foram elevados a 48%, o que provocou a imediata reação dos produtores rurais que organizaram protestos em todo o país para exigir a anulação da medida.

O governo esperava arrecadar, este ano, cerca de 11 bilhões dos 24 bilhões de dólares gerados pela colheita da soja - apenas com tarifas de exportação, sem contar outros impostos. Agora, a nova medida pode significar uma entrada de 9 bilhões de dólares nos cofres do Fisco, como no ano anterior.

A soja ocupa mais de 50% da superfície cultivada na Argentina e é considerada o 'ouro verde' do século XXI' no país, onde nos últimos meses toda a oposição se uniu aos agricultores para realizar gigantescas manifestações contra a proposta tributária do governo.

A derrota do projeto governamental marcou o pior momento político para a presidente Cristina Kirchner e seu marido.

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