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Novo perfil para os conselheiros

Empresas de todo o mundo estão discutindo o papel dos conselhos de administração na crise financeira que se alastrou globalmente. O assunto foi o principal tema das reuniões, realizadas esta semana, da Associação Nacional de Diretores Corporativos dos Estados Unidos, a entidade responsável pela discussão da governança corporativa naquele país.

Agência Estado |

E a conclusão é que será preciso uma mudança de rumos.

"O que se afirma por aqui é que houve um afrouxamento dos conselhos das empresas na detecção de investimentos de risco, e isso foi um dos fatores que contribuiu para o estouro da crise", diz a diretora-executiva do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Heloísa Bedicks, que participou do evento nos EUA e discute hoje o assunto em comitês no Banco Mundial.

No Brasil, essa discussão também ganhou corpo com as recentes perdas de empresas como Sadia, Aracruz e Votorantim com operações com derivativos de alto risco. A opinião é que os conselhos dessas empresas deveriam ter detectado o potencial de perdas dessas operações.

"A partir de agora, os conselhos de empresas nos EUA vão se tornar mais rígidos", diz Heloísa. "E os executivos americanos afirmaram que os conselhos brasileiros e de outros países emergentes deveriam aprender com os erros americanos e tomar precauções."

Por "precaução", entenda-se buscar pessoas mais qualificadas para a formação de conselhos. O sócio-fundador da Arc Talent Recruiting, Francisco Ramirez, informa que, atualmente, de 10% a 15% das buscas de executivos feitas pelas empresas são para posições no conselho de administração.

"Após a aprovação da lei das S/A, as empresas brasileiras foram obrigadas a contratar conselheiros. Mas, agora, entramos em um segundo movimento: o de compor conselhos que realmente contribuam para o desenvolvimento da empresa."

Segundo Ramirez, os perfis solicitados pelas empresas estão um pouco mais específicos. "As empresas querem pessoas que já tenham enfrentado outras crises econômicas, para que ajudem a empresa a sair dessa, e depois saibam guiá-la pelo caminho mais adequado." Os conselhos tenderão a ser mais conservadores, especialmente na área de riscos. "Não que um candidato mais conservador vá ser privilegiado apenas por essa característica numa eleição de conselho, mas o conjunto final de pessoas vai, sim, ser mais conservador."

Heloísa, do IBGC, afirma que o "novo conselheiro" precisa ter conhecimentos das áreas de finanças, contabilidade, avaliação de riscos, experiência no setor e conhecimento do mercado interno e externo. "Na formação final do conselho, todas essas características têm de estar presentes entre os membros." Ela critica, aliás, a decisão de muitas empresas de colocar "figurões" nos conselhos. "Há muita gente em conselhos que não deveria estar lá."

Quem já faz parte de um conselho, no entanto, não deve ter medo de perder o posto, apesar da crise. Ramirez conta que atendeu um executivo integrante de cinco conselhos de administração. Ele pretendia deixar algum, pois a atividade lhe tomava muito tempo. As empresas, no entanto, pediram que ele aguardasse mais alguns meses. "Sair agora poderia aparentar para o mercado que a empresa tinha problemas com a crise", explicou. Ramirez afirma que também não acompanhou, nas últimas semanas, nenhuma demissão de conselheiros. "O impacto da decisão poderia chegar às bolsas, e as empresas vão evitar turbulência a todo custo."

Nos próximos anos, porém, deve começar uma onda de mudanças. Segundo Heloísa, um dos assuntos mais discutidos no evento da associação americana foi a remuneração dos conselheiros e a separação da presidência do conselho e da presidência da empresa. "Vamos levar essa discussão para o Brasil via IBGC.", diz ela. "Afinal, como pode um conselho que fiscaliza a ação de uma empresa ser presidido pelo mesmo executivo que comanda a empresa?"

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