A alteração nas regras de exploração de petróleo no Brasil pode afastar investidores estrangeiros, segundo a diretora do Departamento de Investimentos da ONU, Anne Miroux, que ontem publicou seu relatório anual sobre o fluxo de investimentos. Segundo o levantamento, a América Latina tem sido a região com a maior criação de leis que inibem os investimentos estrangeiros.

"Os países se sentem fortes hoje diante dos preços das commodities", disse. "Novas leis podem causar certa hesitação entre os investidores. Para ela, só o setor de petróleo será afetado. Os investidores no setor automotivo, por exemplo, continuarão de olho no mercado brasileiro.

Segundo a ONU, a América Latina é a região onde mais surgem leis que dificultam investimentos, principalmente na Venezuela, na Bolívia e no Equador. Segundo Miroux, os dados mostram que o fluxo de investimentos para esses países despencou nos últimos três anos. A região ainda vai na contramão da tendência internacional. Das cerca de cem novas leis de investimentos adotadas no mundo em 2007, 74 foram para incentivar o fluxo.

A Venezuela, que recebia mais de US$ 2,6 bilhões em 2006, viu o valor cair 60%. Em 2007, recebeu só US$ 600 milhões. No Equador, os investimentos estrangeiros caíram de US$ 450 milhões em 2005 para US$ 200 milhões em 2007.

Ainda asso, no geral, a América Latina recebeu um volume recorde de investimentos em 2007. Mas graças aos países onde não houve onda protecionista.

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