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Por Jonathan Lynn GENEBRA (Reuters) - A Organização Mundial do Comércio (OMC) pode convidar ministros para ir a Genebra nas próximas semanas visando retomar as negociações interrompidas em julho sobre um novo pacto de comércio global, disse Pascal Lamy, diretor-geral da organização, nesta terça-feira.

Mas recentes embates entre os Estados Unidos e diplomatas chineses indicam que qualquer novo encontro não será fácil.

'Nas próximas semanas, e dependendo do progresso feito nas negociações com autoridades seniores, estou pronto para convocar os ministros de volta a Genebra para tentar fechar os tópicos que permanecem em aberto', disse Lamy em um encontro da agência da Organização das Nações Unidas para o comércio e o desenvolvimento (Unctad).

Autoridades de sete potências comerciais se encontraram na semana passada para explorar maneiras de preencher as lacunas, e devem se encontrar novamente nesta semana.

As conversações ministeriais de julho fracassaram por diferenças entre os EUA e a Índia a respeito de medidas especiais para auxiliar agricultores de países pobres a lidar com um aumento nas importações.

As conversas também foram marcadas pela tensão entre os EUA e a China em diversos assuntos, incluindo a eliminação de tarifas de importação sobre certos setores industriais.

CONTRATEMPO, NÃO FRACASSO

Mas representantes tanto de países ricos quanto pobres no encontro da Unctad disseram que o encontro de julho não simbolizou um colapso da Rodada de Doha, lançada em 2001 para liberalizar o comércio mundial e ajudar os países em desenvolvimento a exportar mais.

'Não há dúvida de que foi um contratempo, mas não foi um fracasso da rodada', disse o embaixador australiano na OMC, Bruce Gosper, que preside o Conselho Geral da organização.

Um acordo para liberalizar o comércio mundial poderia estimular a confiança em uma economia mundial assolada por crises financeiras.

Os países em desenvolvimento estão particularmente desejosos de finalizar as negociações, já que reconhecem que o comércio pode ajudá-los a sair da pobreza.

'Se a camisa que produzimos para exportação não encontra comprador na Europa ou nos destinos de exportação, não sobrevivemos', disse Shree Baboo Chekitan Servansing, embaixador de Maurício na OMC, que representa países da África, do Caribe e do Pacífico na organização.

Tanto países ricos como pobres querem avançar sobre o que foi obtido em julho, apesar do fracasso das conversas de então.

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