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Nova onda mundial de consumo

O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) reduziu em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros, agora em 1%, e deu a entender que, se necessário, novo corte poderá vir para incentivar a demanda interna e reativar a economia. Esse é o segundo corte sucessivo em três semanas, confirmando que o objetivo principal, agora, não é conter a inflação, que já recua, mas evitar a recessão técnica, que se aproxima neste trimestre nos EUA.

Agência Estado |

O Fed foi precedido pelos BCs da China e da Noruega e tudo indica que nos próximos dias os BCs da Eurozona e da Grã-Bretanha sigam esse caminho, mesmo sem a coordenação no corte anterior. Juro menor ajuda muito e atende a todos; reduz o custo do endividamento dos bancos, dos consumidores, incluindo o hipotecário, e anima o mercado financeiro.

O principal risco é o enfraquecimento da moeda dos países que aderem a essa política monetária. Na Ásia, criou-se um fundo para enfrentá-lo; aqui, ainda lutamos com ele. Mas a redução dos juros, em si, é apenas um instrumento de ação monetária. Ele precisa ser imediatamente seguido por forte e agressivo estimulo à demanda, sob outras formas, como gastos em obras públicas, financiamento da construção civil, ampla facilidade de crédito para a aquisição de imóveis, enfim, apoio a setores prioritários, que geram emprego, renda e demanda.

A NOVA BATALHA

Nesse sentido, os governos estão no caminho certo. O dia de ontem pode ser apontado como o início da formação de uma frente anti-recessão. Ela está sendo formada pelos principais governos do mundo. Após a fase de capitalizar bancos - injetar trilhões de dólares no sistema financeiro para restabelecer o crédito -, os países desenvolvidos, mais atingidos, voltam-se para o que se pode considerar o fator básico e essencial para a retomada gradual do crescimento.

E tudo começou na China capitalista, onde o governo anunciou, há dias, investimentos de quase US$ 300 bilhões em obras públicas, a metade dos quais já foi liberada. Estão se transformando em consumo e gerando milhões de empregos. Ao mesmo tempo, reduziu os juros para empréstimos de até um ano, acrescentando que novas medidas serão tomadas para dinamizar o imenso mercado interno.

A China, pretensamente comunista, sai na frente ao usar instrumentos do capitalismo para enfrentar o impacto da crise na economia, contaminada pela redução do crescimento das exportações. A China, como o Brasil, está fortalecendo o mercado interno para depender menos do mercado mundial, em crise.

BRASIL MENOS PRESSIONADO

Aqui, o cenário é um pouco diferente, por três motivos: a economia ainda cresce a 6%, o consumo está aquecido e o sistema bancário é sólido; o governo agiu em tempo e está compensando a redução dos financiamentos externos. Foram US$ 45 bilhões só neste mês. Mas, nas últimas semanas, já foi sentida alguma retração na demanda interna, razão pela qual o BC poderia ter reduzido os juros. É o caminho a seguir com firmeza, mesmo com o risco de pressão inflacionária.

SURPRESA EUROPÉIA

A grande surpresa de ontem - o corte do juro nos EUA era esperado - veio da Europa. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, pediu a adoção de medidas imediatas para estimular o consumo e a criação de empregos. Mas e o déficit e o endividamento dos governos, tão controlado, e a inflação, esse fantasma, agora pálido, que tanto assombrava o tímido Trichet?

Quem responde é o comissário para Assuntos Monetários da UE, Joaquim Alumina. A U E entrou na crise em situação fiscal muito favorável: há sobras orçamentárias, que não foram gastas porque, alegava Trichet, pressionaria a inflação. Então, Durão Barroso convocou o BCE para que faça a sua parte em favor da quase desesperadora necessidade de fazer os europeus pouparem menos e consumirem mais.

Os preços agrícolas e do petróleo continuam recuando de forma expressiva, mais de 50% no ano, reduzindo a pressão. A inflação cairá por força da menor demanda. Em outras palavras, que os EUA, a China, o Japão e outros países continuem reduzindo os juros, mas, ao mesmo tempo - isso é muitíssimo importante - estimulem agressivamente a demanda. Sem esse fator, sem mais consumo, a economia mundial não sairá desta que é a maior crise em 80 anos. E isso é válido também para o Brasil. Mais consumo, mais crescimento por algum tempo e mais produção agrícola para administrar a inflação.

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