Brasília - O secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Welber Barral, anunciou nesta terça-feira que a nova meta de exportações para 2008 será de US$ 202 bilhões. A meta anterior, anunciada em julho passado, era de US$ 190 bilhões.

O secretário explicou que a reestimativa de exportações foi calculada considerando que os preços das commodities continuarão acima dos verificados em 2007 e se manterão estáveis. O ministério também considerou que houve um aumento dos embarques de petróleo a partir do fim do primeiro semestre deste ano e também a recuperação das exportações de telefone celular.

O governo ainda espera que as exportações de aeronaves subam de 166 unidades em 2007 para 200 este ano, além de um crescimento de 15% em quantidade nas vendas externas de tratores e caminhões. Barral disse que, pelos cálculos do ministério, a média mensal das exportações de setembro a dezembro será de US$ 17,789 bilhões, o que significa um crescimento de 22,2% em relação aos últimos quatro meses de 2007. Essa variação será menor do que o ritmo registrado nos primeiros oito meses do ano, quando as vendas externas subiram 27,7% na comparação com janeiro a agosto de 2007.

Se o Brasil alcançar a meta de US$ 202 bilhões em exportações neste ano, terá ampliado as exportações em 25,7% em relação ao US$ 160,649 bilhões registrados em 2007. A nova meta é a terceira revisão para cima anunciada este ano pelo Ministério do Desenvolvimento. A previsão inicial era de US$ 172 bilhões, que foi elevada para US$ 180 bilhões e depois para US$ 190 bilhões.

Queda de preços

Barral afirmou que há muito exagero nas avaliações de que os preços das commodities estão despencando. Para o secretário, nas últimas semanas, houve uma queda dos preços das commodities em razão da saída de capital especulativo em fundos de commodities. Segundo ele, essa "bolha", que teve início no começo do ano, está desinchando.

"Mesmo depois de desinflada a bolha, os preços ainda estão muito mais elevados do que em 2007. Isso ocorre por causa do aumento da demanda", avaliou o secretário, lembrando que alguns alimentos como carne bovina e óleo de soja continuam com tendência de alta. Ele disse ainda que não espera que haja uma nova queda substancial nos preços das commodities. Para ele, os valores não cairão em 2008 a ponto de voltarem aos preços de 2007.

Crise americana

Barral observou também que a crise da economia norte-americana, neste momento, vem contaminando a economia real, mas que ainda é muito cedo para avaliar qual será o impacto dessa crise nas exportações brasileiras. Segundo ele, vai depender de quanto a economia norte-americana afetará outros mercados importadores do Brasil como União Europeia e China. Ele lembrou que atualmente o Brasil é muito menos dependente do mercado dos Estados Unidos, que hoje representa 14% da pauta de exportação brasileira, enquanto que a Europa tem 23% de participação nas vendas brasileiras e a China representa 9%.

O secretário disse que, certamente, a crise nos Estados Unidos afetará países na América Latina, como o México, assim como a Europa e China. Mas o governo irá esperar o final de ano para projetar o impacto desse movimento nas exportações em 2009. "Esse comportamento de manada tem se baseado em especulação e não em dados concretos. Não é verdade que os preços de commodities vêm despencando. Há muita especulação que precisa ser apaziguada antes de fazermos avaliações para 2009", afirmou o secretário.

Dólar

O secretário do MDIC informou que a valorização do dólar frente ao real registrada nas semanas mais recentes não foi levada em conta no processo de revisão da meta de exportações de 2008 para US$ 202 bilhões.

Segundo Barral, o cálculo da nova meta foi feito considerando-se os preços das commodities e os contratos de exportação já assinados. "O dólar dará mais competitividade aos produtos brasileiros, mas o seu efeito não deve ser sentido no curto prazo", previu, frisando que o efeito da valorização nas exportações leva de 90 a 120 dias. Segundo ele, "talvez" o efeito seja mais rápido nas importações e, principalmente, em serviços, como o turismo.

Balança em 2009

O secretário disse que o MDIC ainda não fez projeções sobre o comportamento da balança comercial em 2009. Acrescentou que essa avaliação deverá ser feita no final do ano, quando será possível ter um quadro do comportamento do câmbio e dos mercados. Barral disse que 2008 foi um ano "surpreendente" para as vendas externas, tanto que o ministério revisou a meta, para cima, três vezes ao longo do ano.

Barral observou que o MDIC projetava, no final de 2007, um risco de queda nas exportações para os Estados Unidos, o que não ocorreu. As vendas brasileiras para os EUA em 2008 subiram 14%, de janeiro a agosto, em relação a igual período de 2007. Segundo Barral, houve queda nas exportações para os EUA apenas em móveis e materiais para construção civil, que foi compensada pela diversificação em outros setores. O secretário comentou que, em 2008, não houve queda nas vendas brasileiras para nenhum mercado. As exportações cresceram 68% para a China, 35% para a Argentina e 25,8% para a União Europeia.

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