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Nova geração assume a Odebrecht

Na sede do grupo Odebrecht, no topo de um arranha-céu na zona sul de São Paulo, corre uma brincadeira a respeito de Marcelo Odebrecht e seu BlackBerry: se um dia lhe tirassem o aparelho, Marcelo seria capaz de se atirar do 32º andar, onde fica sua sala. A anedota é usada para destacar a obsessão de Marcelo pelo trabalho.

Agência Estado |

Por meio do BlackBerry, ele controla seus subordinados o tempo todo, trocando informações e ditando ordens a qualquer hora do dia ou da noite.

O pessoal que trabalha com Marcelo pode ir se preparando, que a demanda vai aumentar: aos 40 anos, Marcelo assumiu ontem a presidência da Odebrecht, durante a convenção anual do grupo, no resort Costa do Sauípe, perto de Salvador, realizada no fim de semana. Ele entra no lugar do executivo Pedro Novis, que vai para o Conselho de Administração.

Depois de 16 anos de treinamento em várias empresas do grupo, Marcelo assume um grupo com obras em 17 países, exporta produtos químicos e petroquímicos para mais de 60 e emprega cerca de 90 mil pessoas. A construtora do grupo, a Norberto Odebrecht, é a maior do país. E a Braskem, conglomerado de empresas petroquímicas, a maior da América Latina. O grupo também tem negócios nas áreas de açúcar e álcool, saneamento, petróleo e imobiliária.Faturou R$ 31,4 bilhões em 2007 e pode chegar a mais de R$ 40 bilhões este ano, segundo projeções internas.

O poderio da Odebrecht se destaca também na política. Grande contribuinte de campanhas eleitorais, o grupo tem acesso privilegiado aos gabinetes mais importantes de Brasília. Cultiva influência também junto a governos e parlamentares dos países nos quais está presente, principalmente na América Latina e em Angola.

Marcelo preferiu não dar entrevista antes da posse. Mas, de acordo com executivos do grupo, ele assume a presidência de olho numa nova área de negócios. "O interesse do Marcelo está muito focado na área de energia. Acho que essa é a aposta dele para imprimir uma marca pessoal aos negócios da família", afirma um executivo da Odebrecht. Numa conversa recente, Marcelo lembrou que energia é um bem cada vez mais escasso no mundo e falou do potencial hídrico de lugares como a Amazônia e a África.

A construtora do grupo já faz barragens e hidrelétricas para clientes de todo o mundo. A intenção de Marcelo, no entanto, é dar um passo a mais e começar a operar as usinas e vender sua energia. A primeira experiência importante da Odebrecht nessa área será a exploração da hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia. Em consórcio com outras empresas, a Odebrecht vai construir e depois operar a usina por 30 anos.

CARREIRA - Considerado um executivo agressivo pelos concorrentes, Marcelo fez do projeto do Rio Madeira a maior aposta de sua carreira até aqui. Em 2002, ele assumiu a construtora, uma das principais empresas do grupo, com a idéia de explorar o potencial hídrico do Madeira. O projeto já existia, mas estava praticamente abandonado. Mesmo sem a garantia que a Odebrecht teria a obra, ele acreditou na idéia e investiu mais de R$ 150 milhões em estudos de viabilidade.

As pesquisas da Odebrecht foram o ponto de partida para a licitação de duas hidrelétricas, Santo Antônio e Jirau, e deflagraram uma das disputas empresariais mais ferozes dos últimos anos no Brasil. Quando a disputa começou, os concorrentes descobriram que a Odebrecht tinha montado uma teia de contratos que a tornava parceira exclusiva das estatais elétricas do governo e dos principais fornecedores de turbinas do País. A manobra criou um conflito com a Camargo Corrêa e com o grupo belga Suez, rivais na disputa pelo rio Madeira.

Acusada de impedir a concorrência, a Odebrecht foi forçada pelo Palácio do Planalto a liberar as estatais e os fornecedores das cláusulas de exclusividade que tinham assinado com ela. Mesmo assim, o clima belicoso entre ela e seus concorrentes continua até hoje. "Acho que na disputa a Odebrecht exagerou. Assim mesmo, é preciso reconhecer que o projeto só saiu por causa do Marcelo", afirma o executivo de uma empresa de serviços que concorre com a Odebrecht.

A Construtora Odebrecht teve problemas também no exterior. Na Venezuela, foi acusada de sonegar impostos, "um equívoco já resolvido e superado", de acordo com um diretor da empresa. No Equador, foi expulsa pelo presidente Rafael Corrêa, que a acusa de ter falhado na construção de uma hidrelétrica.

Na semana passada, questionado por um colega sobre a multiplicação de governos populistas na América Latina, onde a presença da Odebrecht é muito forte, Marcelo disse considerar o episódio do Equador um caso isolado. Afirmou que a receita daquele país, equivalente a 3% do faturamento do grupo, será compensada em outro lugar sem dificuldade. O problema seria a frustração gerada pelo episódio e os danos à imagem da companhia.

Líder da terceira geração da família, Marcelo tem um irmão e duas irmãs. Apenas uma delas, advogada, trabalha no grupo. Ele entrou na Odebrecht em 1992, aos 24 anos. Engenheiro civil recém-formado, começou como estagiário numa obra em Salvador. Trabalhou pela Odebrecht em outras partes do Brasil, na Inglaterra e nos Estados Unidos, até assumir a construtora.

Agora, no comando do grupo, Marcelo tem o desafio de substituir duas lendas dentro da Odebrecht. Seu avô, Norberto, que em1944 fundou o grupo a partir de uma construtora quebrada que herdara da família. E o pai, Emílio, que nos últimos dez anos construiu a Braskem, maior indústria petroquímica da América Latina. Norberto hoje é presidente de honra do grupo e, Emílio, do Conselho de Administração.Agora que o bastão chegou a suas mãos, Marcelo terá de deixar sua marca - assim como fizeram seu pai e seu avô.

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