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A nova empresa em estudo para gerenciar o pré-sal pode nascer com reservas estimadas em até 12 bilhões de barris de petróleo. É esse o volume estimado por geólogos para a área ainda sem concessão no chamado cluster do pré-sal na Bacia de Santos, onde está o reservatório gigante batizado de Tupi.

As reservas sem concessão seriam leiloadas na 9ª rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em novembro do ano passado, mas foram retiradas da lista de ofertas após a confirmação de Tupi.

Segundo estimativa da consultoria HRT Solutions, a área tem reservas potenciais de 8 bilhões a 12 bilhões de barris. O geólogo Giuseppe Bacoccoli acredita ser "factível" que elas cheguem a 10 bilhões de barris. Toda a área do pré-sal em Santos, que tem 14 mil quilômetros quadrados e sete blocos exploratórios concedidos, pode ter algo entre 50 bilhões e 70 bilhões de barris.

Os volumes ainda não concedidos motivam a proposta de mudanças na legislação do setor, defendida esta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a lei atual, o governo teria de licitar essas áreas, onde o risco de descobertas é muito baixo, limitando-se a arrecadar impostos sobre a produção. Os novos concessionários teriam de negociar acordos de unitização de reservas com as empresas que já exploram a área.

Com a mudança de modelo, dizem especialistas, o governo pretende assumir diretamente as reservas, garantindo para si uma parcela maior da receita com a venda do petróleo. Dessa forma, negociaria os acordos de unitização diretamente com os concessionários atuais - além da Petrobras, estrangeiras como a espanhola Repsol e a britânica BG. Segundo a proposta em estudo, a nova estatal operaria apenas na área do pré-sal, mantendo o sistema de leilões para as regiões com maior risco geológico.

A estratégia é vista com desconfiança pelo mercado. "Com que recursos o governo poderia investir bilhões nesta área para buscar o óleo que lá se encontra?", questiona Bacoccoli. O presidente da HRT Solutions, Márcio Mello, pondera ainda que, embora pequeno, o risco geológico do pré-sal não deve ser desprezado.

As declarações de Lula, para quem o pré-sal não pode ficar "com meia dúzia de empresas" provocaram inquietações entre os sócios da Petrobras. "Ainda não há pânico, mas o comando da companhia está preocupado porque vê sinais estatizantes no setor", disse um executivo de companhia estrangeira que não quis se identificar.

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