A proposta do governo de criar uma estatal para gerenciar os contratos de exploração de petróleo na camada pré-sal não tem consenso entre os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso, especialmente no PT. Enquanto o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), senador Aloizio Mercadante (PT-SP), defende a idéia, seu colega, o petista Delcídio Amaral (MS), um dos especialistas no assunto dentro do partido, faz restrições.

"Não há ainda estudos suficientes sobre o impacto nas áreas envolvidas e nas políticas públicas. É preciso examinar a alteração na lei do petróleo, que é um assunto complexo, com muito cuidado", alertou o senador. Cauteloso, ele lembra que o assunto foi objeto de discussão na CAE, quando ficou clara a posição contrária da Petrobras à proposta de criação da nova empresa defendida pela diretoria da Agência Nacional de Petróleo (ANP).

"Decisão dessa profundidade não pode ser tomada de uma hora para outra", acrescentou o petista, defendendo um amplo debate técnico sobre o assunto. "Qual o melhor modelo para nós? As empresas vão ganhar um porcentual da produção equivalente ao trabalho executado para viabilizar a exploração?", questionou Delcídio. Segundo ele, o fato de a Noruega ter criado o sistema não significa que o mesmo terá sucesso garantido no Brasil.

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