A boa notícia da semana é que a Lei Americana de Recuperação e Reinvestimento, mais conhecida como plano de estímulo de Obama, está funcionando justamente como os manuais de macroeconomia disseram que funcionaria. Mas esta é também a má notícia - porque a mesma análise dos manuais diz que o estímulo ficou muito aquém do necessário, dadas as proporções de nossos problemas econômicos.

A não ser que alguma coisa mude drasticamente, a perspectiva é de muitos anos de alto desemprego.

E a notícia verdadeiramente péssima é que os "centristas" do Congresso não estão dispostos a (nem são capazes de) enxergar a conclusão óbvia: precisamos de um gasto federal muito maior para criar empregos.

Sobre a boa notícia: não faz muito tempo que a economia americana estava em queda livre. Sem a lei de recuperação, a queda livre teria provavelmente prosseguido, conforme trabalhadores desempregados cortassem seus gastos, governos estaduais e municipais realizassem demissões em massa, e assim por diante.

O estímulo não eliminou por completo esses efeitos, mas foi suficiente para romper o ciclo vicioso do declínio econômico. O auxílio aos desempregados e a ajuda aos governos estaduais e municipais foram os fatores mais importantes. Para ver a recuperação funcionando, basta visitar uma sala de aula: as escolas públicas teriam provavelmente sido obrigadas a demitir muitos professores se o estímulo não fosse aprovado.

E a queda livre chegou ao fim. Os números do PIB divulgados na semana passada mostraram que a economia voltou a crescer, agora a uma taxa anualizada de 3,5%, resultado melhor do que o esperado. Como disse em pronunciamento recente Mark Zandi, do serviço economy.com oferecido pela Moodys: "O estímulo está fazendo aquilo que dele se espera: interromper a recessão e incentivar a recuperação".

Mas isto não é suficiente.

Vamos supor que a economia continue crescendo à taxa de 3,5%. Se isso ocorrer, o desemprego começará finalmente a recuar - mas muito, muito lentamente. A experiência da era Clinton, quando a economia cresceu a uma taxa média de 3,7% durante oito anos sugere que, com as taxas de crescimento atuais, teríamos sorte em verificar uma queda anual de 0,5% no desemprego, o que significa que seria necessária toda uma década até retornarmos a algo próximo do emprego total.

O pior: nada indica que o crescimento deva manter esse ritmo. Os efeitos do estímulo se acumularão com o tempo - as medidas ainda devem criar ou salvar um total de aproximadamente 3 milhões de postos de trabalho - , mas o auge do seu impacto sobre o crescimento do PIB (e não sobre seu nível) já ficou para trás. Um crescimento sólido continuará apenas se os gastos particulares apanharem o bastão conforme o efeito do estímulo se enfraquece. E, por enquanto, não há sinais de que isso esteja ocorrendo.

Assim, o governo precisa fazer muito mais. Infelizmente, as perspectivas políticas para a implementação de medidas adicionais são desanimadoras.

Washington segue insistindo em um desses dois argumentos: A) o estímulo fracassou, o desemprego segue aumentando, e portanto não devemos fazer mais nada; ou B) o estímulo funcionou, o PIB está crescendo, e portanto não precisamos fazer mais nada. A verdade parece complicada demais para uma era de pílulas políticas: o estímulo foi algo positivo, mas veio em pequena quantidade - ele ajudou, mas não foi grande o bastante. Será que podemos arcar com o custo de medidas adicionais? O fato é que não podemos nos dar ao luxo de não fazer mais nada.

O alto desemprego não castiga apenas a economia de hoje; castiga também o futuro. Diante de uma economia deprimida, as empresas cortaram os gastos em investimentos - tanto em equipamentos e instalações quanto investimentos "intangíveis" em coisas como o desenvolvimento de produtos e o treinamento de funcionários. Isso afetará negativamente o potencial da economia por anos a fio.

Os falcões do déficit gostam de se queixar que os jovens de hoje acabarão tendo de pagar impostos mais altos para cobrir os juros da dívida que estamos acumulando hoje. Mas quem quer que se importe verdadeiramente com as perspectivas para os jovens americanos deveria insistir na criação de um número muito maior de empregos, já que o fardo do alto desemprego recai desproporcionalmente sobre os ombros dos trabalhadores jovens - e aqueles que entram no mercado de trabalho durante anos de alto desemprego têm suas carreiras permanentemente danificadas, sem jamais conseguir acompanhar aqueles que se formaram na prosperidade.

Até a afirmação de que teremos de pagar pelos gastos atuais do estímulo com impostos mais altos no futuro está, em boa medida, equivocada. Gastar mais na recuperação terá como resultado uma economia mais forte, agora e no futuro - e uma economia mais forte significa maior receita fiscal. Provavelmente, os gastos com o estímulo não serão capazes de pagar seu próprio preço, mas o seu custo verdadeiro, mesmo num sentido fiscal mais estreito, é apenas uma fração do valor divulgado nas manchetes.

Está bem, sei que estou sendo pouco pragmático: grandes programas econômicos não podem ser aprovados no Congresso sem o apoio dos democratas relativamente conservadores, e esses democratas têm dito aos repórteres que seu apetite por estímulo se acabou.

Mas espero que suas barrigas voltem a roncar em breve. Sabemos agora que o estímulo funciona, mas estamos muito aquém do nível de estímulo necessário. Pelo bem dos desempregados de hoje, e para garantir o futuro do país, precisamos fazer muito mais.

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