Diferentemente do que ocorre em muitos países, os radiodifusores americanos parecem não ter medo de encarar as profundas mudanças tecnológicas que se aproximam sob o nome geral de convergência digital. Essas mudanças são, no mínimo, três: TV via internet (IPTV), TV 3D e TV móvel.

Diferentemente do que ocorre em muitos países, os radiodifusores americanos parecem não ter medo de encarar as profundas mudanças tecnológicas que se aproximam sob o nome geral de convergência digital. Essas mudanças são, no mínimo, três: TV via internet (IPTV), TV 3D e TV móvel. A que mais parece preocupar é a primeira delas, a chamada TV online, que permitirá a recepção de programas em qualquer dispositivo fixo ou móvel com acesso à internet de banda larga. O melhor exemplo dessa disposição para preparar-se para os novos desafios do futuro é a atitude da National Association of Broadcasters (NAB, na sigla em inglês da Associação Nacional dos Radiodifusores) de discutir amplamente não apenas o novo cenário, como também o impacto da mudança de paradigmas e suas consequências sobre o modelo de negócios da TV. Para a grande maioria dos radiodifusores, não há mais tempo a perder. O plano nacional de banda larga norte-americano está em discussão no Congresso dos Estados Unidos e deverá ser aprovado em alguns meses. Quais serão suas consequências para a TV aberta? Para alguns, ela terá de mudar radicalmente não apenas seu conteúdo bem como seu modelo de negócio. Para outros, a convergência entre TV e internet de banda larga abrirá tantas novas perspectivas e oportunidades que poderá até fortalecer o velho conceito de uma TV aberta e gratuita. Fantasma. Diante dos pessimistas, que acham que a TV aberta está condenada ao desaparecimento, o vice-presidente da NAB, Dennis Wharton, diz com todas as letras: "É um fantasma que assusta crianças, para dizer o mínimo. Quem está acompanhando os debates que estão ocorrendo entre os radiodifusores verá que estamos preparando exatamente um movimento para incentivar não apenas a TV aberta na atmosfera, como a TV online (via internet de banda larga) e restringindo nossa aposta em outros sistemas de distribuição. Pergunte a qualquer jovem de 21 ou 22 anos de idade como ele está recebendo seus programas de TV. Raros são aqueles que estão pagando assinatura de TV a cabo ou satélite. Eles estão usando a combinação de TV via atmosfera e serviço online." Para muitos, a transição final da TV analógica para a TV digital dá novo fôlego à TV aberta. E o melhor exemplo citado nas discussões foi o Richard Schneider, um fabricante de antenas UHF especiais para a TV digital, do Estado do Missouri, que está vendendo tudo que produz: "Só no mês da transição, em junho de 2009, vendemos 500 mil antenas. E continuamos vendendo 100 mil antenas por mês. De lá para cá, o interesse pela TV digital cresceu tanto que 35 milhões de pessoas retiraram seus cupons para obter desconto na compra de set-up boxes (receptores-conversores digitais)." A própria indústria de equipamentos se prepara para a nova TV aberta online. Um bom exemplo é a Sezmi, que produz um kit para recepção de TV em qualquer lugar do mundo, com receptor e gravador a alta definição, com controle remoto. Em sua publicidade, a Sezmi promete oferecer ao usuário "filmes, shows, grandes transmissões esportivas, enfim, todo tipo de entretenimento que ele quiser, sem ter que pagar nenhuma assinatura a operadoras de TV por cabo ou satélite." Se o otimismo da indústria e das emissoras prevalecer, como nestes dias do NAB Show 2010, a TV aberta estará salva. <i>As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.</i>
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