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A carente região norte de Minas Gerais vive a expectativa de redenção econômica com a exploração de seu subsolo. Área frequentemente castigada por secas, cuja economia está historicamente apoiada em atividades como a agropecuária e a produção do carvão vegetal, o norte mineiro abriga reservas gigantescas de gás natural e minério de ferro.

Os estudos de viabilidade econômica ainda estão sendo preparados, mas as jazidas, estimadas em pelo menos 20 bilhões de toneladas de minério - de baixo teor de ferro -, localizadas na região de Salinas e municípios na divisa do Estado com a Bahia, já estão atraindo a atenção de investidores estrangeiros.

Ainda neste semestre será perfurado o primeiro poço para a exploração de gás natural na Bacia do São Francisco, que corresponde a uma área de 350 mil quilômetros quadrados no norte de Minas, Bahia e Goiás. As reservas já foram estimadas em 1 trilhão de metros cúbicos. Em cidades como Pirapora e Buritizeiro, moradores convivem há décadas com vazamentos naturais de gás na superfície.

A expectativa das autoridades é que os projetos de investimentos possam deslanchar, levando o tão esperado desenvolvimento para a região semiárida - incluída na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), que concentra uma população de aproximadamente 2,5 milhões de habitantes.

O governo mineiro promete criar a infraestrutura e os projetos de planejamento logístico para a constituição de uma nova província mineral, a exemplo do chamado Quadrilátero Ferrífero, na região central.

Atualmente, dois grandes grupos de empresas detentoras de direito minerário no norte de Minas estão preparando estudos para o início da operação, em 2012.

No fim do ano passado, a Votorantim Novos Negócios, do Grupo Votorantim, acertou a venda, por US$ 430 milhões, de seu projeto de minério de ferro na região para a chinesa Honbridge Holdings.

O consórcio Novo Horizonte, formado pela empresas MTransminas, Mineração Minas Bahia (Miba) e Gema Verde, recebeu sondagens recentes de grupos do Canadá, da Austrália, dos EUA e da China.

"Esse projeto nosso, em termos de volume, pode ser considerado o maior do mundo dos que não estão nas mãos das grandes empresas", salientou o diretor-presidente da Miba, Alexandre Couri Sadi.

O interesse chinês na região tem a ver com a busca de novas reservas minerais para reduzir a dependência do país de produtos fornecidos pelos grandes conglomerados, como a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. As duas gigantes também são detentoras de áreas na região, mas ainda não desenvolveram projetos de exploração.

Sadi estima que o início da operação demande aportes da ordem de US$ 2,5 bilhões, incluindo a construção de um ramal ferroviário ligando o norte mineiro à Estrada de Ferro 334, além de um porto no sul da Bahia.

Conforme o empresário, a intenção é vender a maior parte (80%) da participação societária do consórcio para que o empreendimento seja realizado. O consórcio conta também com o comprometimento da administração estadual.

"A gente está discutindo com o governo estadual a construção desse ramal. Em no máximo 15 dias deveremos assinar um protocolo de intenções", destacou Sadi. "Para tirar aquele minério de ferro de lá, se não tiver logística, não tem projeto."
Outra proposta de escoamento da produção é a construção de um duto de cerca de 470 quilômetros de extensão, orçado em US$ 500 milhões.

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