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Nordestino compra casa de luxo feita para gringo

Residencial com imóveis avaliados em R$ 7 milhões entre Recife e o porto de Suape são o novo retrato da pujança econômica do NE

Alexa Salomão, iG de Recife |

O Reserva do Paiva, em Pernambuco, é um empreendimento imobiliário carregado de superlativos. Está sendo construído numa área que equivale a quase 500 campos de futebol, junto a uma reserva de Mata Atlântica e diante de quase nove quilômetros de praias no Cabo de Santo Agostinho, um dos mais belos roteiros turísticos do País. A obra está avaliada em R$ 1,6 bilhão e a expectativa é que renda quase R$ 6 bilhões em vendas de imóveis. Recentemente, a festa de inauguração do clube e das áreas comuns do Morada da Península, a primeira fase do empreendimento com 66 casas de alto padrão, apresentou aos futuros moradores comodidades como a piscina semi-olímpica, o cinema, o salão de jogos eletrônicos e a academia de tênis. Mas o detalhe mais importante não está nem no requinte nem nas belezas naturais de tirar o fôlego, mas nos futuros proprietários. Mais de 80% são pernambucanos e adquiriram o imóvel para residir no local.

Inicialmente, a primeira fase do Reserva do Paiva foi pensada para cair no gosto e no bolso dos europeus em busca de segunda moradia em lugares paradisíacos do planeta e que alimentavam o turismo local. Miravam-se especialmente portugueses e italianos. Para dar mais estofo ainda ao projeto, um time de cinco arquitetos renomados assinou a planta das casas. Entre eles estava Acácio Gil Borsoi, um dos mais respeitados expoentes do urbanismo brasileiro, que faleceu no ano passado. Na hora da venda, no entanto, ocorreram duas surpresas. A crise abateu-se sobre a União Européia e os endinheirados do primeiro mundo escassearam. Ao mesmo tempo, a economia brasileira reagiu rapidamente aos percalços globais. Os negócios no Nordeste, que já iam bem, ficaram ainda melhores e os próprios pernambucanos arrematam as casas de luxo.

Jorge Luiz Bezerra
Parceria público-privada: ponte de 320 metros e nova via de 6,2 Km foram construídas para dar acesso ao Reserva do Paiva

“O Reserva do Paiva está entre Recife e o Porto de Suapé, região que vive um desenvolvimento impressionante”, diz Paul Altit, presidente da Odebrechet Realizações Imobiliárias (OR), um dos sócios do empreendimento. “A construção das várias etapas do bairro depende da velocidade do crescimento da região e tudo indica que ele vai acelerar e ocorrer mais rápido do imaginávamos.”

O valor dos imóveis por si só serve de termômetro da efervescência local. Na planta, as casas, que foram customizados ao gosto dos proprietários, custavam entre R$ 1,5 milhão e R$ 4 milhões dependendo do tamanho e da localização. Agora, no momento em que ocorre a entrega das chaves dos primeiros imóveis, algumas casas são avaliadas em R$ 7 milhões. A próxima etapa do projeto prevê o lançamento de um o condomínio, o Vila dos Corais. Está prevista a construção de 132 apartamentos distribuídos em seis prédios com amplos jardins. As unidades custam entre R$ 1,48 milhão e R$ 3,8 milhões. As vendas nem começaram, mas pela sondagem dos clientes junto a área da vendas pelo menos 30% dos imóveis já têm dono.

Quem acompanha a realidade do Nordeste acredita que o fato de o Reserva do Paiva estar sendo ocupado por pernambucanos capazes de gastar alguns milhões na compra de um imóvel indica que a fórmula de desenvolvimento local segue um novo padrão. “Durante anos, o turismo foi a principal fonte de renda para o litoral nordestino e a atividade ainda é importante, mas agora podemos perceber que o que alimenta a economia são os negócios: a instalação novas empresas, o movimento de executivos e os investimentos em locais como Suape”, diz o baiano Djean Vasconcelos Cruz, diretor de incorporação da OR no Nordeste. “Todas as camadas da população estão tendo aumento na renda e um número maior de nordestinos pode comprar casas em locais com o Reserva do Paiva.” 

Luxo ecológicamente correto

O Reserva do Paiva não é apenas um lugar com luxos como campo de golfe, centro hípico e academia de tênis. É referência em sustentabilidade e novas propostas de negócios. O terreno onde o bairro está sendo erguido pertence à família Brennand, uma das mais tradicionais do estado. Os Brennand não queriam simplesmente se desfazer da área por um bom preço e buscaram alternativas de investimentos que não descaracterizassem as belezas do lugar. Os grupos Cornélio Brennand e Ricardo Brennand trabalharam em parceria com a OR na concepção do projeto e são sócios não apenas no bairro, mas também da infraestrutura do entorno. A ponte e a estrada que dão acesso ao Reserva do Paiva foram construídas por meio da primeira parceria público-privada do país no setor rodoviário e são pedagiadas.

Jorge Luiz Bezerra
Reflorestamento: viveiro com 90 mil mudas de 143 espécie de plantas ornamentais e de matas nativas possibilita o replantio de espécies locais

Além de casas luxuosas, o Reserva do Paiva terá apartamentos para a classe média, hotel para executivos globais, centro comercial e empresarial e até escola. Os prédios, no entanto, serão horizontais, com generosas áreas verdes e de convivência, e não espigões enfileirados lado-a-lado onde as pessoas vivem isoladas em seus apartamentos. A sustentabilidade está nos detalhes. Para economizar energia, serão instaladas placas solares para aquecimento da água. A madeira das portas e demais acessórios é de reflorestamento e certificada. Estão previstos ainda área para captação e reuso de água da chuva, coleta seletiva de lixo e estação de tratamento de esgoto.

A proposta do projeto é oferecer qualidade de vida não apenas aos moradores, mas também para os executivos de empresas que freqüentam o porto de Suape. Os investidores esperam ainda que o empreendimento seja um diferencial de hospedagem para torcedores e jogadores das seleções de futebol que vão participar da Copa em 2014. Recife é uma das cidades que sedia os jogos.

Ao menos tempo, uma série de ações tem integrado o bairro às comunidades locais. Uma parceria com o Sebrae oferece oficinas nas áreas de artesanato, turismo, reciclagem e meio ambiente. Com a Petrobras, que constrói uma refinaria em Suape, criou-se um programa de treinamento para pescadores interessados em técnicas de criação de peixes. A proposta é incentivar o empreendedorismo e melhorar a renda dos mais pobres que virem próximos ao bairro. “O conceito de desenvolvimento mudou’, diz Altit. “Nenhum empreendimento hoje pode ser considerado um sucesso econômico se gerar problemas na vizinhança e agredir ao meio ambiente.”
 

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