A estratégia da Nokia de se firmar como uma provedora de serviços, anunciada pela fabricante finlandesa no final de 2007, ganha contornos mais fortes no Brasil. A empresa planeja lançar em 2009 serviços de música, de internet e jogos (N-Gage) para os usuários brasileiros de seus dispositivos móveis.

A estratégia de adicionar a prestação de serviços ao escopo de negócios da maior fabricante mundial de celulares foi colocada em prática neste ano e já exibe resultados. No terceiro trimestre, as vendas líquidas da unidade Nokia Services & Software totalizaram 115 milhões de euros. A receita líquida do grupo como um todo, considerando também a venda de aparelhos, foi de 8,6 bilhões de euros no mesmo intervalo.

Os brasileiros terão de conviver, por alguns meses, com a versão beta do portal de serviços Ovi. Neste portal, que significa "porta" em finlandês, os usuários podem publicar e gerenciar informações pessoais. O presidente da Nokia no Brasil, Almir Narcizo, afirmou que uma versão definitiva, traduzida para o português do Brasil, ficará pronta ainda no primeiro semestre de 2009. A comercialização de faixas de música pela Nokia, presente em 11 países, também será implementada no Brasil no próximo ano, assim como a plataforma traduzida de jogos. "O Brasil está entre as prioridades do grupo", afirmou hoje, em coletiva, o executivo.

Um serviço da Nokia que se mostrou bem sucedido aqui e ao redor do globo foi o de localização e mapas, lançado no começo do ano durante o Mobile World Congress, em Barcelona. O interesse da Nokia em prover localização foi expresso por sua disposição em pagar US$ 8,1 bilhões pela Navteq no início de 2008.

Narcizo admitiu que a entrada da Nokia no mercado de serviços gerou, num primeiro momento, desgaste com as teles. Mas ele disse que a fabricante fez "um trabalho forte com as operadoras", que acabaram por se convencer de que "há espaço para todos". Primeiro, segundo ele, porque há um modelo de negócios que prevê o compartilhamento de receitas. E também porque a Nokia, por ser a maior fabricante global de celulares e ter a infra-estrutura da Nokia Siemens, tem escala e capacidade de disseminar as tecnologias de forma rápida, opinou o executivo. "Conseguimos mostrar que não há perda de receita para as operadoras", pontuou, destacando ter fechado parcerias com os grupos de telefonia Telefónica, América Móvil e TIM.

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