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Nobel de Economia propõe que ONU, e não G20, reforme sistema financeiro

Rio de Janeiro, 5 dez (EFE) - O prêmio Nobel de Economia Joseph Stiglitz propôs hoje que a reforma do sistema financeiro mundial seja realizada pelas Nações Unidas, em vez de por entidades como o Grupo dos Vinte (G20, que reúne os países mais ricos e principais emergentes), nas quais nem todo mundo está representado. Discutir no G20 em vez de no Grupo dos Sete (G7, as sete nações mais ricas) é um importante passo à frente, porque significa admitir que o problema é global. Mas deveria ser mais representativo, disse Stiglitz na conferência da Associação Mundial das Agências de Promoção de Investimentos (Waipa), no Rio de Janeiro.

EFE |

Ele acrescentou que "seria melhor falar na ONU, uma instituição na qual estão todos (os países)".

Stiglitz lembrou que quando foi convocada a cúpula do G20 em Washington, discutiu-se sobre quais países deveriam estar e quais não, por isso afirmou que "o melhor" é falar onde estão todas as nações, para não deixar de fora e "em desvantagem" a maioria da África e os Estados pequenos, sem representação no grupo.

O também Nobel de Economia Edmund Phelps, que participou do debate, concordou em linhas gerais com Stiglitz, mas destacou que, antes de colocar a responsabilidades sobre a ONU, "deve-se mudar sua forma de Governo".

Como solução à crise, Stiglitz propôs a criação de um sistema multilateral "do qual todo o mundo se beneficiaria" e uma entidade internacional de crédito que canalize as reservas dos países em desenvolvimento para promover o investimento.

Stiglitz ressaltou que esta instituição não pode ser o Fundo Monetário Internacional (FMI), na qual os países emergentes têm pouca voz e os Estados Unidos mantêm direito de veto.

"Espero que esta crise acabe com as assimetrias e leve mais dinheiro ao mundo em desenvolvimento, o que também beneficiaria os Estados Unidos", disse.

O ex-diretor da Bolsa de Valores de Nova York, William Donaldson, coincidiu em que deve-se dar passos para criar um mecanismo de regulação mundial, no qual cooperem todos os países, para nos "manter todos vivos".

Donaldson sugeriu que, para voltar a ganhar a confiança do mercado, deve ser limitada a alavancagem e examinada a toxicidade de alguns instrumentos financeiros, seguindo o exemplo das autoridades de saúde em relação aos medicamentos.

Phelps culpou os grandes bancos comerciais de terem "abandonado os investimentos produtivos para favorecer a especulação" e pediu a adoção de medidas para reduzir a volatilidade do mercado, como estabelecer impostos sobre os ativos a curto prazo.

Em sua opinião, estas medidas estimulariam os investimentos a longo prazo, menos rentáveis, mas com um fundo em inovação que reverta sobre o dinamismo da economia. EFE mp/db

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