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Nobel da Paz fala sobre microcrédito e defende a criação de negócios sociais

Em visita a São Paulo, o Prêmio Nobel da Paz, Muhammad Yunus, falou sobre sua experiência com o Grameen Bank, o banco que oferece microcrédito à população carente. Yunus discursou durante evento em comemoração aos dez anos do Banco do Povo Paulista.

Redação |

O Grameen Bank começou como um estudo de Yunus e se transformou oficialmente em banco em 1983. Depois de perceber que as populações pobres de Bangladesh tinham dificuldade de sobreviver pela impossibilidade de obter empréstimos, o professor criou e passou a presidir o banco, que oferece recursos financeiros sem cobrar juros sobre juros ou exigir garantias.

"O banco que criamos é quase o oposto dos bancos convencionais. Eles procuravam os ricos, nós procurávamos os pobres. Eles procuravam os homens, nós procurávamos as mulheres. Eles diziam que as pessoas tinham que ir ao banco, nós dizíamos que o banco tinha de ir as pessoas", afirmou Yunus, que nasceu em Bangladesh, em 1940, formou-se em Economia em 1961 e fez doutorado nos Estados Unidos.

Nas últimas duas décadas, cerca de US$ 5.700 bilhões foram emprestados a aproximadamente 2.400 famílias. O índice de inadimplência registrado é de pouco mais de 1%. Números como esses fizeram com que, em 2006, Yunus e seu banco foram agraciados com o prêmio Nobel da Paz.

Em sua palestra em São Paulo, o professor afirmou que o Grameen Bank incentiva as famílias cadastradas a colocarem seus filhos na escola, além de concederem bolsas e empréstimos para os alunos que se destacam e chegam à universidade.

"Temos a responsabilidade de fazer com que essa segunda geração tenha uma vida totalmente diferente das de seus pais", afirmou Yunus. "Queremos criar uma nova família e dar adeus à pobreza de uma vez por todas."

Depois de sua palestra, Yunus respondeu algumas perguntas do público, entre elas: como tornar São Paulo uma metrópole de negócios sociais?

O professor definiu tais negócios como aqueles os a fazer o bem. "Só conhecemos os negócios que fazem o homem ganhar dinheiro. Como o foco é no lucro, algumas pessoas não se importam em passar por cima dos outros, em destruir o mundo", afirmou Yunus, acrescentando que os seres humanos não são "máquinas de ganhar dinheiro". "Gostamos de ganhar dinheiro, mas também gostamos de ajudar outras pessoas e mudar suas vidas".

O professor afirmou que o objetivo do Grameen Bank é ganhar dinhero para fazer a diferença, e que pessoas em todo o mundo podem pensar da mesma forma. "Acredito que, em São Paulo, existem muitas mentes criativas capazes de criar negócios sociais e inspirarem o mundo inteiro", disse Yunus.

 

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