"Final de semana não esfriou a mobilização", diz representante dos trabalhadores; nesta segunda-feira, 6.527 agências não abriram

A greve nacional dos bancários completou o sexto dia nesta segunda-feira com a mais 312 agências de portas fechadas. No total, 6.527 unidades não abriram nos 26 Estados e no Distrito Federal, 36% do total, que são cerca de 18 mil.

“O final de semana não esfriou a mobilização dos bancários. Ao contrário, a categoria está demonstrando sua capacidade de resistência e enfrentamento à intransigência dos bancos, que continuam sem apresentar uma nova proposta com avanços econômicos e sociais”, afirma em nota Carlos Cordeiro, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e coordenador do Comando Nacional dos Bancários.

Mais de 6.500 agências ficaram fechadas em todo o País na segunda-feira
AE
Mais de 6.500 agências ficaram fechadas em todo o País na segunda-feira

Segundo os grevistas, o reajuste de 12% nos pisos salariais concedido pelo Banco de Brasília (BRB) foi uma motivação para a greve nesta segunda-feira. O aumento supera a reivindicação nacional, que é de 11%.

Mas o BRB não faz parte da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e, por isso, teve mais liberdade para decidir seu reajuste, segundo Lourenço Ferreira do Prado, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito (Contec) - filiada à União Geral dos Trabalhadores (UGT),

Reivindicações

Entre as principais reivindicações dos bancários estão 11% de reajuste, valorização dos pisos salariais, maior Participação nos Lucros e Resultados (PLR), medidas de proteção da saúde que incluam o combate ao assédio moral e às metas abusivas, garantia de emprego, mais contratações, igualdade de oportunidades para todos e mais segurança.

Representados pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), os bancos propuseram um reajuste de 4,29% (a inflação do período) e rejeitaram as demais reivindicações. Mas os bancários não aceitaram a proposta e afirmam que agora aguardam uma contraproposta. A entidade, por sua vez, deixou claro desde o início da paralisação, no último dia 29, que não concederá o reajuste de 11% requisitado pela categoria.

Trabalho de madrugada

A Fenaban divulgou uma nota nesta segunda-feira contestando a afirmação do sindicato dos bancários, também feita por meio de uma nota, de que os bancos obrigam bancários a entrar de madrugada para evitar piquetes. Segundo a entidade, "na verdade, em muitos prédios dos bancos existe trabalho em turno, portanto é normal haver gente entrando e saindo a qualquer hora".

A Fenaban disse lamentar "profundamente" a ocorrência dos atos sindicalistas e piqueteiros e deu um sinal de que pretende fazer um acordo com os trabalhadores. "A Fenaban reieitera seu compromisso de buscar todas as alternativas legais cabíveis para garantir o acesso de bancários e consumidores às agências para exercerem seu direito ao trabalho e ao usufruto dos serviços essenciais, bem como alcançar um acordo plausível com os representantes dos bancários", dizia em nota.

Apoio

Segundo a Contraf-CUT, a CUT Nacional divulgou nesta segunda-feira uma nota de apoio à greve nacional dos bancários. Para a CUT, “trata-se de uma greve inevitável, forjada pela insensibilidade e inflexibilidade dos bancos, que a despeito de todo o lucro que vêm amealhando ao longo dos últimos anos e do ambiente estável e de crescimento econômico, construído pelos brasileiros e brasileiras, respondem à justa demanda dos bancários com uma proposta de reajuste que seria risível, não fosse ofensiva”.

A nota, assinada pelo presidente da CUT, Artur Henrique, “reivindica uma mudança de postura por parte dos bancos e o início de negociações em patamar diferente do atual, buscando garantir dignidade para os bancários”.

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