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No Salão do Automóvel, nem queda nas vendas desanima montadoras

Executivos da indústria automobilística brasileira fazem coro para negar que o 25º Salão Internacional do Automóvel, que será aberto ao público na quinta-feira, em São Paulo, seja visto como o salão da crise. Admitem, por outro lado, que a situação de caos financeiro e econômico que se abate sobre o mundo vai resultar, no mínimo, em uma perda de vendas de cerca de 200 mil veículos no mercado brasileiro este ano.

Agência Estado |

Para 2009, a maioria nem sequer arrisca projeções, pois aguarda que as medidas recentemente anunciadas pelo governo para manter a disponibilidade de crédito para financiamento evitem uma estagnação, depois de quatro anos de forte crescimento.

A indústria projetava vendas de 3 milhões de veículos este ano, mas muitas empresas já cortaram esse número para algo entre 2,8 milhões e 2,9 milhões de unidades, ainda assim um volume recorde, superior aos 2,4 milhões de veículos vendidos em 2007. As previsões que em 2009 o setor teria crescimento de 5% a 10% já não são confirmadas. "Tudo vai depender da disponibilidade de crédito se normalizar nos próximos dois meses", diz o presidente da GM do Brasil, Jaime Ardila.

Na semana passada, Ardila e os presidentes da Fiat, Ford e Volkswagen se reuniram com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para discutir medidas que possam ajudar o setor a não perder clientes por causa de dificuldades no financiamento. Pelo menos 70% das vendas de carros no País são feitas no crediário.

Ontem, foi a vez do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider, se encontrar em São Paulo com Meirelles e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Oficialmente, o encontro foi para discutir a participação de Lula na cerimônia de abertura do salão, amanhã. Nos bastidores, porém, o tema do crédito fez parte da agenda.

Para o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, mesmo que a indústria cresça abaixo dos 24% projetados pela Anfavea, ainda assim não há do que reclamar. "Significa que o Brasil cresceu mais de 50% em dois anos, o que poucos países conseguiram." Segundo ele, o País manterá sua posição de sexto maior fabricante mundial. "Não vamos criar uma crise onde não existe. O que há é um problema pontual de crédito."

Até o dia 24, as vendas de veículos neste mês somavam 177,7 mil automóveis e comerciais leves, uma queda de 11,6% em relação a setembro e de cerca de 4% em relação ao mesmo mês de 2007. No ano, os negócios somam 2,27 milhões de unidades, cerca de 23% a mais que em igual período do ano passado. As taxas de juros para financiamentos aumentaram e os prazos encolheram.

Todas as montadoras garantem manter investimentos anunciados. A Anfavea calcula que serão US$ 23 bilhões, incluindo as autopeças, até 2012. "Os planos para a construção de nova fábrica em Sorocaba (SP) estão mantidos", diz o presidente da Toyota, Shozo Hasebe. "Executivos da Hyundai coreana me informaram ontem que nada mudou no projeto da fábrica de Piracicaba (SP) prevista para 2011", diz Carlos Alberto de Oliveira, presidente da Hyundai/Caoa.

O presidente da Citroën, Jean Louis Orphelin, acha que, mantida a crise de crédito, o mercado em 2009 poderá até cair para volumes próximos a 2,25 milhões de automóveis. Já Jérôme Stoll, presidente da Renault, afirma que a montadora tem caixa para bancar parte do financiamento dos veículos da marca com juros subsidiados, mas acredita que a crise só deve arrefecer a partir do segundo semestre de 2009.

A empresa não tem planos de corte de produção no Brasil, mas na Argentina serão dispensados 300 funcionários que trabalhavam com contrato temporário. Outras empresas não descartam dar férias coletivas, cortar horas extras ou utilizar o sistema de banco de horas e reduzir a produção. Querem evitar o aumento dos estoques. A GM deu férias a parte de seus funcionários nesta semana. Fiat e Honda também pararam, mas alegam tratar-se de medida prevista antes da crise.

Marcos de Oliveira, presidente da Ford, ainda aposta que o mercado este ano fique na casa dos 3 milhões de veículos, mas diz que o grupo está reavaliando as projeções que fez para 2009. "É cedo para fazer qualquer previsão,"diz o presidente da Ford.

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