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SÃO PAULO - Os principais executivos de grandes bancos dos Estados Unidos encaram nesta tarde a difícil missão de enfrentar congressistas irritados com o comportamento das instituições financeiras durante a crise atual. Nos comentários feitos até agora, os CEOs de Goldman Sachs, Citigroup, JP Morgan Chase, Bank of America, Morgan Stanley, Wells Fargo, State Street e Bank of New York Mellon tentam explicar aos deputados e senadores como gastaram o dinheiro público aportado até o momento nas instituições.

Do seu lado, os legisladores querem assegurar que os recursos não foram, ou ao menos não serão mais, gastos em regalias para os executivos e em pagamentos de bônus populdos a funcionários, enquanto os bancos registram prejuízo.

O executivo-chefe do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, disse que a instituição está "colocando ativamente o capital recebido para trabalhar", aumentando os empréstimos realizados.

O CEO do Bank of New York, Robert Kelly, afirmou que dos US$ 3 bilhões recebidos, US$ 1,7 bilhão foram aplicados na compra de títulos ligados a hipotecas, US$ 900 milhões em títulos de dívida e US$ 400 milhões em empréstimos interbancários.

No caso do BofA, o diretor-executivo Kenneth Lewis disse que a instituição emprestou mais de US$ 120 bilhões em novas operações durante o quarto trimestre do ano passado, ou mais de US$ 100 bilhões a mais que o montante recebido do governo. Deste total, US$ 59 bilhões foram para empresas, US$ 7 bilhões para crédito imobiliários comercial, US$ 45 bilhões para hipotecas residenciais e US$ 8 bilhões para crédito ao consumo em geral.

No seu depoimento, o CEO do Citi, Vikram Pandit, lembrou aos congressistas que o banco já havia detalhado na semana passada por iniciativa própria como havia usado os recursos recebidos em novos empréstimos e disse que seguirá disponível para dar novas explicações. No quarto trimestre, o Citigroup liberou US$ 75 bilhões em novas operações.

O executivo-chefe do Morgan Stanley, John Mack, ressaltou que o banco não usou o dinheiro oficial do aporte de capital que recebeu para o pagamento de dividendos ou bônus aos funcionários. "Nós temos muito o que fazer para reconquistar a confiança das pessoas", admitiu Mack.

Do lado dos parlamentares, o deputado do partido Democrata, Barney Frank, que presidente a comissão de finanças da câmara, ressaltou que havia uma "grande dose de raiva" naquela reunião, diante do comportamento das instituições até agora.

No ano passado, mesmo com os prejuízos históricos registrados pela maior parte dos grandes bancos dos EUA, houve o pagamento de US$ 18 bilhões em bônus a executivos e funcionários.

Mais agressivo, o deputado Republicano Randy Neugebauer disse que tem um novo nome para os bancos que receberam ajuda oficial com dinheiro público. "Eu vou chamá-los de TSEs (Entidades Patrocinadas pelos Contribuintes, na sigla em inglês)", afirmou, em referência ao nome dado para as empresas hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, que são GSEs (Entidades Patrocinadas pelo Governo), mas que de fato tem respaldo legal para o suporte recebido.

(Valor Online, com agências internacionais)