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A crise vivida pela seguradora americana AIG (American International Group) não deve ter reflexos negativos imediatos no mercado segurador nacional. Apesar de o grupo atuar no Brasil, por meio de uma parceria com o Unibanco, as regras do mercado brasileiro exigem que a operação financeira de multinacionais do setor seja independente da de suas matrizes.

Por conta disso, as garantias e reservas técnicas ficam, obrigatoriamente, alocadas no País.

"Não há risco de contaminação", afirma o presidente da Federação Nacional das Corretoras de Seguro (Fenacor), Roberto Barbosa. Em sua avaliação, a única conseqüência da crise da matriz da AIG para o Brasil poderia ser a venda do ativo. "Pode ocorrer de a AIG decidir vender ativos ao redor do mundo para sair da dificuldade. Nesse caso, acho que haveria o interesse de grupos nacionais e internacionais em adquirir a operação de seguros da empresa no Brasil", diz ele, que classificou a AIG-Unibanco como "um grupo sólido".

Um dos atrativos a possíveis interessados, segundo especialistas do setor, seria o forte ritmo de crescimento do mercado segurador brasileiro. Dados da Federação Nacional das Empresas de Seguro Privado e Capitalização (Fenaseg) revelam que o setor movimentou R$ 84,3 bilhões em 2007. Para este ano, as estimativas são de que o montante passe para R$ 98,3 bilhões, o equivalente a uma expansão de 16%. Para 2009, as transações podem chegar a R$ 124 bilhões.

O grupo AIG também opera no Brasil no segmento do resseguro. Os negócios na área são feitos por meio de duas empresas, a Transatlatic-re e a AIU, esta última mais voltada para grandes riscos industriais. O diretor da Associação Brasileira de Empresas de Resseguro (Aber), Cid Andrade, avalia que a crise da AIG nos EUA diz respeito à continuidade das operações da empresa, mas não há risco de contratos não serem honrados. "As reservas e provisões já estão feitas", diz.