Corria o ano de 1965 e Tranquilo Favero foi convidado por uma dupla de amigos médicos a fazer um passeio: atravessar a recém-inaugurada Ponte da Amizade, que liga a cidade de Foz do Iguaçu, no Brasil, a Ciudad del Este, no Paraguai. Quando chegou ao país vizinho, ficou encantado com a imensidão de terras boas para o cultivo. “Nasci e me criei na terra, não precisava nem fazer análise para saber que naquele mundo verde que vi do outro lado da fronteira cresceria de tudo”, conta.
Quer me castigar, me chama para ir para a praia, diz o rei da soja
Os amigos voltaram da viagem, mas Favero ficou por 60 dias, de olho nas possibilidades que vislumbrava. “Comprei um carro para visitar a região, e comprei as primeiras terras”, diz. Foi um golpe certeiro. Aos 72 anos, modos simples e tereré (bebida típica semelhante a um chimarrão gelado) nas mãos, Favero é conhecido internacionalmente como o rei da soja no Paraguai.
“Os brasileiros podem se orgulhar do crescimento do Paraguai no ano passado”, diz, em seu escritório novinho, na avenida que leva ao aeroporto. O do centro estava ficando pequeno e há pouco a empresa mudou de endereço. Segundo Favero, 80% do crescimento do Paraguai veio da exportação de grãos e carne. Desse porcentual, 90% dos grãos são produzidos pelos “brasiguaios”.
Império da soja
Favero tem nove empresas, todas ligadas ao agronegócio. “Desde pequeno, quando não tinha nada e minha família era pobre, pensava em produzir alimentos”, afirma. “Roupa, sapato, carro são supérfluos, mas até a rainha da Inglaterra tem de comer todo dia.”
Louco por trabalho, diz que tem jornada de 15 horas diárias e é o estraga-prazeres da família quando o assunto é férias. “Quer me castigar, me chama para ir para a praia” afirma, rindo. Seu império tem 40 mil hectares de terras cultivadas, 40 mil cabeças de gado, 1,5 mil funcionários diretos e 5 mil indiretos. Possui terras em 13 dos 17 departamentos (estados) paraguaios.
No escritório de Favero, uma tv sempre ligada no canal do tempo
Os números podem ser pequenos quando comparados ao maior produtor de soja do Brasil, Blairo Maggi, com seus mais de 160 mil hectares de soja. Mas lhe garantem domínio no país vizinho. Para safra paraguaia de 2011, que começa a ser colhida em breve, é esperada a produção de 8 milhões de toneladas. No Brasil, apenas as exportações chegaram a quase 50 milhões de toneladas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), alta de 5,5% sobre o ano anterior.
“Mas precisa lembrar que o Paraguai é o maior produtor de soja per capita do mundo”, faz questão de frisar Favero. Em suas contas, a produção paraguaia é de cerca de 1,3 tonelada por pessoa. No Brasil, é de 0,3 tonelada. Do total paraguaio, Favero espera produzir 120 mil toneladas. Na safra passada, foram 90 mil toneladas.
De olho na China
Favero, que se diz interessado em ouvir e aprender, tem agora voltado seus olhos para a China. Pretende abrir um pequeno escritório de representação em território chinês este ano e quer uma filial maior naquele país em 2012. Hoje, ele vende para multinacionais. Com a filial na China, pretende eliminar intermediários. "Talvez eu monte também uma empresa no Brasil para exportar carne” diz, sem dar mais detalhes.
Enquanto conversa, Favero fica de olho em uma televisão gigante instalada em seu escritório, ligada todo o tempo no mapa meteorológico do Weather Channel (canal do tempo). Diz: “vai chover bastante esse ano, isso é muito bom”. Durante a entrevista, é interrompido algumas vezes por funcionários ou por um de seus netos, que estava na região de Alto Paraná visitando umas terras. Pergunta se chove, se faz sol, como estão as plantações.
O rei da soja do Paraguai tem três filhas. Todas moram no Brasil e nenhuma seguiu os caminhos do pai. Com ele, trabalham dois dos três netos homens (há mais três mulheres), um deles é economista e, o outro, engenheiro agrônomo. Há pouco parentes em volta porque, diz ele, não é muito bom colocar muita família nos negócios. “Se um funcionário não trabalha direito, posso mandar embora. Agora, se é da família...”
Meu pai nasceu no oceano
A saga de Favero começou na Italia, quando seus avós deixaram um país que passava dificuldades para tentar a sorte em outro lugar. Sua avó estava grávida e seu pai nasceu no navio, três dias antes da chegada a Porto Alegre (RS). O filho Tranquilo nasceu em Videira (SC) e estava na pequena Chopinzinho, no Paraná, quando recebeu o convite para viajar ao Paraguai.
“Naquela época, 10 mil hectares no Paraguai equivaliam a 100 hectares no Paraná”, diz. Ele conta que foi devagar, com medo das ditaduras do país vizinho, de instabilidades. “Conforme o tempo passava, eu via que o bicho não era tão feio.” Foi ficando tão bonito até que Favero vendeu o que tinha no Brasil e se mudou de vez. Naturalizou-se paraguaio há 22 anos.
Veja as outras reportagens da série:
Excelente respuesta Antonio! De donde vino este Favero a querer responsabilizarse por el trabajo de tantos paraguayos? Es un mentiroso.
La soja produce pobreza y migración!
Paraguay tiene 2.800.000 ha. de cultivos mecanizados. El Sr. Favero tiene 40.000 ha. por lo tanto solo es responsable del 1,4 % de la producción de cultivos mecanizados en Paraguay. Y la mitad de sus tierras son para la ganadería (Dpto. de Alto Paraguay), no agricultura. En Paraguay los responsables de la producción ag´rícola mecanizada son : Paraguayos descendientes de Brasileros descendientes de ALEMANES e ITALIANOS = 60%; Paraguayos descendientes de ALEMANES, JAPONESES, UCRANIANOS, POLACOS = 25%; Paraguayos Criollos que eran pequeños productores de ALGODON = 10%; Multinacionales Agro-exportadoras con tierras= 5%. Señores Periodistas Brasileros : Hablen con quien sabe y trabaja en el tema. Es cierto que el Sr. Favero es muy trabajador pero es uno más en el montón de gente trabajadora. Y es cierto lo que dice un comentario más arriba. está deforestando una zona del Chaco Paraguayo muy sensible desde el punto de vista ambiental. eso no es correcto. No desinformen. Saludos.
Responder comentário | Denunciar comentárioParabéns Sr. Favero. O Sr. não perdeu absolutamente nada não ficando no Brasil. Isso aqui não é facil não. Aqui o Sr. teria que infrentar os ecopatas que não deixam plantar e com risco de sua propriedade ser invadida e saqueada por desordeiros protegidos pelo sistema. Fora ainda a falta de apoio ao produtor: sem estrada, telefone, energia eletrica, internet etc.
Responder comentário | Denunciar comentárioÉ importante a presença de homens de coragem q impulsionam a economia dos lugares onde vivem, no caso do agronegócio então isso é mais importante ainda com o crescimento populaçional mundial, pessoas q investem em alimentos devem ter todo o apoio, principalmente do governo onde investem. Sem esquecer q saber da história de mais um brasileiro vencendo no q se propôs fazer nos enche de orgulho...
Responder comentário | Denunciar comentárioPARABÉNS PRIMO... VOCÊ MERECE TUDO DE BOM... SEI DE SUA HISTÓRIA E DE SUA FAMÍLIA E TAMBÉM O QUANTO VOCÊS BATALHARAM PARA CHEGAR ONDE CHEGARAM. FIQUEM COM DEUS. E QUE O GRANDE ARQUITETO DO UNIVERSO CONTINUE TE PRODIGALIZANDO COM BONS FRUTOS. FELICIDADES.
FORMOSA DO OESTE-PR
Se os empresários e a população forem dar ouvidos a tudo o que dizem essas ONG´s, muitas delas estrangeiras, a América do Sul vai viver de comer capim. Essas ONG´s deveriam meter o bico nos países ricos que destruiram suas florestas e continuam a poluir com suas empresas e carros. É claro que temos que conservar a natureza, mas também isso cabe a cada cidadão do mundo que deve ser responsável pela água que consome, pelo carro que usa e pelo lixo que gera. Conservação da natureza é um esforço de todos e não só de certa parcela da população. Quanto ao empresário, parabéns pelo espírito empreendedor.
Responder comentário | Denunciar comentárioO Paraguai é uma grande nação e ainda tem muito que crescer. Quem viver verá!
Responder comentário | Denunciar comentárioSomente arvores que dao frutos 'e que levam pedradas!! as secas, nao servem pra nada! assim eu vejo essas pessoas que criticam, mas nao fazem a sua parte!
Parabens aos brasileiros que trabalham em qualquer parte do mundo!
Parabens Favero!
É impressionante o que o brasileiro tem de capacidade e de sensibilidade para notar algo, veja que exemplo que o Favero nos proporciona, o meu sonho tambem e plano nem que seja 5 Alqueiros de terra, porem nunca tinve oportunidade devido a vida financeira, porem estou trabalhando e juntanto dinheiro e acho que o ano de 2011 não vai ficar em branco, deste ano não passa sem que eu plante, ate mesmo com um exemplo tão bonito quanto esse. obrigado.
Responder comentário | Denunciar comentárioE para concluir, queria comentar aos brasileiros que os produtores de soja no Paraguai não pagan nem sequer um centavo de imposto ao Fisco Paraguaio.
Os produtores de soja no Paraguai (sejam eles brasileiros, paraguaios ou alemães ou outras nacionalidades) tem contribuido com a emigração de muitas pessoas, do interior para a cidade, tem contribuido com a poluição do meio ambiente, tem contribuido a desenvolver un sistema agrícola não sutentável, tem contribuido a gerra pobreza no interior do Paraguai.
Por isso meus caros irmãos, e essa mensagem vai para o "Rei da Destruição Favero", O PARAGUAI NAO TEM NADA QUE AGARDECER AOS BRASILEIROS, MAIS AINDA SE SAO PESSOAS QUE PRATICAM A MONOCULTURA DE SOJA COMO O SENHOR.
O SENHOR TEM CONTRIBUIDO COM A POBREZA E CORRUPÇAO NO MEU PAIS.
Todo brasileiro e estarngeuro de bem, BEM VINDOS NO PARAGUAI! Mas senhor Favero, volte para Santa Catarina, plante la a soja assassina, gere pobreza lá, desloque pessoas lá, polua o meio ambiente la´, nao no meu Paraguai.
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