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Os publicitários Márcio Santoro e Sérgio Gordilho voltaram para a escola. Santoro está concluindo o terceiro ano do curso de gestão para Donos e Presidentes de Empresas ministrado na Harvard School, em Boston (EUA).

Gordilho completou o seu MBA de gestão para times criativos na Berlim School, a única no mundo a dar um curso dedicado a profissionais da propaganda.

Com essa preparação, estavam dadas as condições para eles assumirem a presidência da agência de propaganda Africa, cargo até então ocupado por Nizan Guanaes, sócio majoritário do Grupo ABC de comunicação, do qual a agência faz parte.

Os dois ocupavam funções de vice-presidência. São sócios minoritários da agência e trabalham nela desde a sua fundação, há oito anos. Agora, passam a responder como copresidentes. A Africa ocupa a 8ª posição no ranking das dez maiores agências por investimentos em mídia, com movimentação de R$ 1,3 bilhão em 2009, segundo levantamento do Ibope Monitor.

A decisão de Guanaes não chega a surpreender. No últimos tempos, o publicitário tem se dedicado a atuar mais como um conselheiro do Grupo ABC, que engloba empresas de prestação de serviço por toda a cadeia de comunicação - de anúncios a eventos, passando pelo marketing esportivo. No ano passado, o grupo faturou R$ 430 milhões, e hoje conta com mais de 1,6 mil funcionários.

Gigante do ramo. Guanaes tem dito nos últimos anos que pretende transformar o ABC no maior conglomerado de comunicação do Brasil, à imagem e semelhança dos grupos estrangeiros do setor. Para atingir esse objetivo, vem profissionalizando o grupo. Contratou, há quatro anos, o consultor de empresas Vicente Falconi para dar uma injeção de gestão nas empresas, se associou ao fundo Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e ao Banco Icatu. Fora isso, há ainda uma participação da rede global americana DDB Worldwide, sócia da agência DM9DDB.

"Nesse primeiro trimestre vamos ter o melhor resultado dos últimos anos", afirmou Guanaes na última segunda-feira, ao receber o diretor global da Cisco, Wim Elfrink, na sede da Africa, em São Paulo. Aliás, desde o ano passado ele tem se dedicado a fazer exatamente isso: contatos internacionais. Esteve, por exemplo, na reunião anual dos dirigentes mundiais em Davos, na Suíça, este ano. A sua intenção é exercer esse papel, enquanto sócios minoritários e preparados numa cultura empresarial tocam os negócios nas diferentes empresas do grupo. O comando executivo do ABC no Brasil fica nas mãos do sócio de décadas, Guga Valente. Juntos, eles têm 55% do capital do grupo.

Gestão empírica. "As agências de publicidade sempre tocaram a gestão de maneira muito empírica e não valorizavam seus negócios", diz Márcio Santoro. "Com a entrada do professor Falconi no grupo, começamos a fazer gestão de maneira mais sistemática. Voltar a estudar e me preparar para a função nas melhores escolas do gênero me permitiu perceber que gerir pessoas nessa área de prestação de serviços é também gerir valores e processos. Só assim construiremos um negócio sólido."
O portfólio de clientes conta com anunciantes como Banco Itaú, a marca de cerveja Brahma, da AmBev, a companhia mineradora Vale e a rede varejista Walmart entre outros. "No terceiro ano de atuação, já estávamos entre as dez maiores agências do País", diz Santoro.

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