Com ou sem consórcios de empresas privadas, a Usina de Belo Monte será construída e ninguém vai impor o preço ao governo. Foi com esse discurso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao anúncio de que a Odebrecht e a Camargo Corrêa haviam desistido do leilão.

Com ou sem consórcios de empresas privadas, a Usina de Belo Monte será construída e ninguém vai impor o preço ao governo. Foi com esse discurso que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu ao anúncio de que a Odebrecht e a Camargo Corrêa haviam desistido do leilão. O Estado apurou que Lula avaliou que as empresas estão tentando "chantagear" o governo. "Uma coisa vocês podem estar certos: nós vamos fazer Belo Monte. Isso é importante que fique claro, em alto e bom som. Entrem (consórcios na disputa) ou não entrem", disse o presidente Lula em entrevista, no Palácio do Itamaraty. Ele afirmou que espera que a disputa tenha três, quatro, cinco ou mais grupos. "Quem apostar que o governo não tem cacife para fazer (a usina), esteja certo de que faremos Belo Monte", disse. "Nós precisamos encontrar o preço justo e não o preço que alguém quer nos impor. Não queremos que o empresário tenha prejuízo nem queremos que o consumidor de energia pague lucros exorbitantes. Tem um caminho no meio e nós sabemos qual é", acrescentou. O Estado apurou, com fontes no Planalto e no Ministério de Minas e Energia, a origem da irritação do presidente. Em data próxima aos leilões das usinas do Rio Madeira, em 2008, a Odebrecht enviou carta ao presidente reclamando que a tarifa de energia no edital era muito baixa. No dia seguinte, no leilão, coube à Odebrecht apresentar a proposta de tarifa mais baixa - tornando-se a vencedora. "O presidente identificou (agora) na ação das duas empresas uma chantagem ao governo para que reduza a tarifa", disse um auxiliar do presidente Lula.
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