O presidente da Net, José Antonio Felix, fez nesta tarde duras críticas a uma possível entrada das operadoras de telefonia na TV por assinatura, possibilidade prevista no Projeto de Lei 29/2007. De acordo com o executivo, essa mudança é uma forma de as empresas de telefonia fixa protegerem seu monopólio nas ligações fixas locais e de praticar subsídio cruzado.

"O que tem de entender é o seguinte: nós precisamos de competição no País. E o negócio que precisa de competição no País não é a TV por assinatura, que já tem competição. O negócio que precisa de competição e de universalização é banda larga, telefonia fixa", afirma Felix. De acordo com ele, as operadoras de telefonia fixa só operam na telefonia celular onde há relação custo-benefício.

"Então no dia que liberar TV por assinatura via cabo eles talvez coloquem no Rio, em Belo Horizonte, em Porto Alegre. Quero ver botar numa cidade que realmente precisa. Não. Vão botar onde economicamente seja bom para eles. Aí o risco é de praticar o subsídio cruzado", acrescenta o executivo.

Felix também lembrou de negociações realizadas por operadoras como Oi, que teriam comprado empresas para tirá-las do mercado. O executivo citou o exemplo da Way TV, comprada pela Oi em 2006. O diretor de mídia e conteúdo da Oi, José Luis Volpini, contesta a avaliação de Felix. "Se alguém está fazendo concentração, é porque a lei hoje o beneficia. Eu não posso comprar empresas de TV a cabo. A Net foi lá e comprou a BigTV e a Vivax. Então o que está acontecendo é um processo de concentração enorme nesse mercado", respondeu Volpini.

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