Tamanho do texto

O ex-presidente argentino Néstor Kirchner atacou duramente nesta terça-feira os grupos econômicos agrícolas e a oposição liberal por reagirem contra os impostos sobre as exportações de grãos, durante uma manifestação de apoio ao governo diante do Congresso, em Buenos Aires.

"Abraçamos os produtores argentinos, porque não são nossos inimigos, mas devemos ter cuidado com os 'pools' agrícolas, que querem enriquecer às custas do povo", disse Kirchner para a multidão reunida diante do Congresso.

A manifestação foi realizada um dia antes da votação, no Senado, do projeto do governo de Cristina Kirchner que aplica impostos progressivos sobre as exportações de soja, milho, trigo e outros cereais, que variam de acordo com os preços internacionais desses grãos.

"A presidente me pediu para garantir a vocês que vamos respeitar a decisão do Congresso, qualquer que seja", destacou Kirchner, ao descartar a possibilidade de renúncia de Cristina, em caso de queda do projeto.

"A presidente acredita que é fundamental que os alimentos cheguem à mesa dos argentinos com preços nacionais, e não internacionais, e por esse motivo adotou os impostos (sobre as exportações de grãos), mas alguns pularam porque não querem compartilhar esse esforço".

"O Estado tem de estabelecer o equilíbrio, e os impostos sobre os grãos permitem que os argentinos possam comer a preços nacionais", afirmou Néstor Kirchner, ao lembrar a escalada internacional dos preços dos alimentos.

Kirchner criticou a forma como o setor agrícola tem protestado e disse que "o bloqueio de estradas atinge todos os argentinos".

"Falam de democracia e queimam os campos. Falam de democracia mas saem em grupos para agredir os que não pensam como eles", denunciou o ex-presidente.

Leia mais sobre Argentina