O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou ontem que os dados macroeconômicos ainda não mostram um impacto severo da crise norte-americana sobre a economia brasileira. Ao discursar na abertura do seminário do próprio BC sobre microfinanças, em Belo horizonte, Meirelles fez questão de ressaltar que a crise atual não está centrada no Brasil nem em outro país emergente.

Segundo ele, o País possui arcabouço sólido com o montante de reservas internacionais, de US$ 207 bilhões, suficientes para cobrir três vezes a dívida de 12 meses. "Nenhum país está imune à crise, mas a resistência que o Brasil adquiriu nos últimos anos melhora a capacidade da economia", disse.

Meirelles enfatizou que o BC continuará monitorando o desenvolvimento da crise com atenção "e tomará todas as medidas necessárias, bem como o governo, no sentido de enfrentar a crise de maneira a preservar o bom funcionamento da economia brasileira". Ao final do discurso, ele afirmou que o BC encara a crise com seriedade, mas aguarda os resultados.

Em Porto Alegre, onde participou da campanha da candidata do PT à Prefeitura, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, avaliou que o Brasil tem um sistema financeiro "robusto, que não foi contaminado (pela crise norte-americana) porque não estava participando do cassino". Para ela, a "questão séria" da crise é de solidez dos bancos que apresentaram problemas. "Não é a oscilação da bolsa que reflete a crise", assinalou, se referindo à queda da Bovespa, de mais de 10%, ontem.

"É uma crise profunda de crédito", acrescentou, ao diferenciar a situação brasileira da norte-americana. Na avaliação da ministra, a crise norte-americana não chegou ao Brasil porque o País tem regras de regulação bancária mais rígidas que as dos Estados Unidos.

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