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Negociadores tentam fechar Doha. Sem muita disposição para negociar

A Europa oferece a mínima abertura de seu mercado aos produtos agrícolas brasileiros e exige total acesso ao mercado nacional para seus bens industriais. O governo americano impõe condições para apresentar proposta de corte de subsídios agrícolas e quer livre acesso para seus veículos, máquinas e têxteis.

Agência Estado |

Já o Brasil deixou claro que o preço da Rodada Doha mudou e não vai mais pagar o mesmo que estava disposto há um ano.

Foi nessa total falta de sintonia que ministros de todo o mundo começaram ontem as reuniões para tentar fechar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), sete anos após seu lançamento. "Se essas posições continuarem, não teremos acordo", alertou o embaixador Roberto Azevedo, principal negociador do Brasil. O Itamaraty já acenou que tem margem de flexibilidade para aceitar maior abertura no setor industrial, mas não pode garantir que os demais emergentes e o Mercosul sigam o caminho.

Para negociadores, americanos e europeus se uniram mais uma vez para pressionar os emergentes a abrirem seus mercados. Ontem, numa reunião entre o comissário de Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, e o chanceler Celso Amorim, os europeus pressionaram para que o Brasil reduza ao máximo suas barreiras no setor industrial.

O objetivo é garantir proteção para setores mais vulneráveis dos países emergentes, mas evitar que toda uma área da economia seja declarada sensível e fora da liberalização.

Amorim indicou que o Brasil tem como adotar posição mais flexível, mas não pode garantir que outros emergentes, nem o Mercosul, aceitem o acordo. "A reunião mostrou que ainda não estamos no ponto de chegar a um acordo", disse o chanceler.

A principal queixa do Brasil é de que os europeus pedem uma abertura máxima do País, enquanto oferecem cotas relativamente pequenas para carnes e produtos agrícolas. Pelos cálculos do governo, o acesso oferecido pelos europeus está bem abaixo do que a Rodada Doha deveria gerar como comércio.

A UE saiu insatisfeita do encontro e insistiu que os emergentes terão de oferecer mais flexibilidades para que haja um acordo. "O Brasil precisa contribuir o suficiente para equiparar ao que já oferecemos", afirmou Mandelson.

Subsídios

Enquanto os europeus pressionam o Brasil, o governo americano deu indicações de que conta com nova proposta de corte de subsídios agrícolas, ponto central de todo o debate. Mas impõem condições para apresentá-la e alertam que apenas vão revelar seu conteúdo no momento certo. Entre essas condições está a exigência de que setores industriais como automotivo, têxtil, máquinas e químicos sejam liberalizados pelos emergentes, como o Brasil.

Para os americanos, uma condição para o corte de subsídios é a aceitação dos emergentes de que alguns setores estratégicos tenham amplos cortes de tarifas. O Mercosul rejeita a maioria dos setores, mas admite falar de áreas como pesca, jóias e produtos florestais. Para os americanos, essa seria a moeda de troca para que haja acordo na agricultura.

Em uma reunião no fim de semana entre a representante do Comércio dos EUA, Susan Schwab, e Mandelson, os americanos garantem que contam com nova proposta de cortes de subsídios. "Disseram-nos que não vão apresentar até que obtivessem sinais de que vão ganhar em outras áreas", disse um diplomata europeu.

Mandelson indicou que aceita um teto nos subsídios de cerca de US$ 15 bilhões. O número de Schwab não fica longe disso. O problema é que os emergentes alertam que não vão aceitar nada acima de US$ 13 bilhões.

"Os americanos precisam apresentar logo algo plausível. Caso contrário, tudo se desmoronará", disse Gopal Pillai, negociador chefe da Índia. Em um encontro entre Schwab e o ministro indiano do comércio, Kamal Nath, a Casa Branca evitou dar sinais de que poderia cortar seus subsídios agrícolas. "Foi puro blá-blá-blã", disse Pillai.

Para vários diplomatas, concessões em todos os demais setores dependerão de quanto os americanos estão dispostos a cortar em seus subsídios e do acesso que os europeus darão em termos de cortes tarifários. Numa declaração emitida ontem, o G-20 (grupo de emergentes) deixou claro que esse ponto é um imperativo político.

Para tentar desqualificar a pressão americana, Amorim apontou que mesmo o corte previsto de subsídios agrícolas nos EUA não terá efeito imediato, pois o teto proposto está acima do que a Casa Branca distribui hoje a seus produtores. O Brasil não está disposto a pagar por algo que sequer seria uma concessão americana. Pelos cálculos do Ministério da Agricultura, os subsídios americanos ficarão abaixo de US$ 13 bilhões. "Os subsídios dados são metade do teto que queremos ver aprovado", disse Amorim. Hoje, os subsídios americanos não passam de US$ 7 bilhões, diante da alta nos preços das commodities. Pela proposta da OMC, o teto ficaria entre US$ 13 bilhões e US$ 16 bilhões.

Os americanos apontam que, para cortar subsídios, terão de ganhar em outros setores. Para Amorim, com a mudança no cenário internacional, o esforço americano em aceitar a proposta não tem o mesmo valor que no passado. Ele acha que os EUA não podem cobrar dos emergentes o mesmo preço por aceitar o teto. Segundo ele, o Brasil cortará em mais de 30% suas tarifas industriais, que ficarão no máximo em 23%.

Para completar o cenário pouco positivo, Pequim alertou que não aceitará a conclusão da Rodada sem receber compensações pelos problemas que terá para fazer com que seus produtos entrem no mercado americano. A Casa Branca se recusou a fazer a concessão.

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