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Negociações na OMC chegam à nova fase de trocas de acusações entre países

Marta Hurtado Genebra, 28 jul (EFE).- As negociações na busca do desbloqueio da Rodada de Doha, para a liberalização do comércio mundial, que já entram na segunda semana, chegaram hoje a uma nova fase de troca de acusações diretas entre alguns dos principais membros do processo, como Estados Unidos, China e Índia.

EFE |

O embaixador americano David Shark acusou Índia e China de colocarem em "perigo toda a Rodada" por não aceitarem a proposta de acordo apresentada pelo diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, sobre a abertura de mercados agrícolas e industriais.

Pelo oitavo dia, os ministros continuam as discussões com o propósito de destravar a Rodada de Doha, iniciada há sete anos, a fim de aprofundar a liberalização do comércio.

A resposta do ministro do Comércio indiano, Kamal Nath, não demorou muito.

"Não estamos isolados. Se bloquear uma rodada é não aceitar uma proposta dos países ricos, então que seja assim", disse.

O ministro de Indústrias e Comércio da Venezuela, Willian Antonio Contreras, deu seu apoio a Nath e lembrou que muitos ainda não estão de acordo.

"Os EUA fizeram uma acusação muito forte contra a Índia e a China, de estarem bloqueando o acordo, e desconhecem que ele também foi rejeitado por Argentina, Venezuela, Cuba e Nicarágua", disse Contreras à Agência Efe.

Em resposta, a China, que mantém uma estrita política de não dar declarações à imprensa, rompeu hoje sua própria norma e distribuiu entre os jornalistas a posição de seu embaixador.

"Trabalhamos muito duro para contribuir com o êxito dessa rodada.

É surpreendente que nesse momento os EUA nos chamem dessa forma", afirmou o embaixador chinês Sun Zhenyu.

Além disso, Sun acusou os EUA de tentarem ocultar seu protecionismo - como não reduzir os subsídios ao algodão - e alertou sobre o caminho que as negociações estão tomando.

"Os maiores participantes, os ricos, devem mostrar flexibilidade.

Isto é uma rodada do desenvolvimento. Se eles cobrirem todas as suas sensibilidades e continuarem a ameaçar os países em desenvolvimento, acho que não vamos a lugar nenhum", sentenciou Zhenyu.

Por sua vez, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que nos últimos dias atua como mediador entre os países ricos e os emergentes que rejeitam o texto, reconheceu hoje que a situação "está chegando ao limite".

O comissário do Comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson, afirmou hoje que as negociações sobre uma proposta de acordo chegaram a um momento "difícil" e "complexo".

"Os negociadores precisam de mais algum tempo para analisar várias opções técnicas", disse, ao sair de uma reunião com os ministros de Brasil, Austrália, China, Estados Unidos, Índia e Japão.

O comissário europeu afirmou que uma solução para as mais recentes dificuldades à negociação só poderá ser alcançada com "liderança".

Previu que, depois desta reunião, deve ser convocado um grupo mais amplo de ministros (cerca de 30), representantes de todas as regiões do mundo e dos diferentes interesses que estão em jogo nesta negociação.

No entanto, Mandelson afirmou em seu blog que, dentro da equipe da UE, "há um sentimento de que o jogo está chegando ao final".

A impressão de Mandelson parece ser compartilhada pela maioria dos negociadores, inclusive Lamy, que tenta por todos os meios resolver uma trama que se complica cada vez mais e que, iniciada a segunda semana.

"Já não é questão de dias, mas de horas", afirmou Lamy.

Já esta noite será apresentada uma nova proposta de acordo com a que Lamy esteve elaborando juntamente com os chefes negociadores de agricultura, bens industriais e serviços, que conhecem de perto as posições dos Estados-membros.

Essa nova versão deveria ser a definitiva; sobre essa base, os países teriam que decidir se aceitam e avançam no estabelecimento das metas para reduzir as barreiras ao comércio de produtos agrícolas e industriais, ou se, caso contrário, a rodada será congelada mais uma vez. EFE mh/wr/plc

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