As negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC) em Genebra entraram nesta segunda-feira em sua segunda semana com os ânimos exaltados e fortes acusações dos Estados Unidos contra Índia e China, que segundo os norte-americanos estariam comprometendo um acordo de abertura dos mercados mundiais.

"O jogo de acusações começou. Os Estados Unidos estão apontando Índia e China, e a China respondendo com dureza", declarou um diplomata à AFP ao se referir a uma reunião de representantes dos 153 países da OMC.

A resposta indiana foi mais moderada, acrescentou.

Os ministros de 35 países dos 153 da OMC iniciaram na segunda-feira passada uma reunião-chave para tentar salvar a Rodada de Doha, lançada em 2001.

As discussões em torno das propostas apresentadas pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy, permitiram na sexta-feira vislumbrar um bom desenlace da Rodada, mas o otimismo foi dissolvido durante o final de semana por discrepâncias entre países emergentes.

A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, lamentou no domingo que "um punhado de países emergentes" comprometa o "delicado equilíbrio" do pacote de Lamy.

"Na sexta-feira abria-se o caminho para um bom desenlace; não era perfeito, mas era delicadamente equilibrado e contava com um forte apoio", mas "infelizmente, um punhado de mercados emergentes decidiu mudar as coisas em um ou outro tema. E sabem? Em um equilíbrio tão delicado, quando um fio é retirado, tudo se desfaz", afirmou.

A Índia exige o direito de elevar as tarifas alfandegárias às importações em caso de um forte fluxo de importações ou de súbita queda de preços de determinados produtos agrícolas.

Essa exigência gerou uma forte rejeição de países exportadores agrícolas tanto do Sul -como Uruguai e Paraguai- como do Norte, entre eles Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.

A China indicou, por sua vez, que se negava a abrir seus mercados a três produtos agrícolas importantes -arroz, algodão e açúcar- e a iniciar negociações setoriais sobre produtos industriais.

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