Por pouco o empresário David Neeleman não perde o vôo de estréia da sua companhia, a Azul Linhas Aéreas. O vôo que o trouxe de Nova York ontem pela manhã atrasou e o helicóptero preparado para levá-lo para Viracopos não pôde decolar por causa do mau tempo.

"Vim de carro e o motorista perdeu a entrada de Viracopos. Fomos parar no centro da cidade", disse Neeleman. O contratempo provocou um atraso de 25 minutos e o vôo AD 4064, de Campinas para Salvador, partiu às 12h25.

O atraso não abalou os demais 97 passageiros do Embraer 190, jato com capacidade para 100 lugares. Desse total, uns 60 ou 70 eram pagantes, os demais eram funcionários ou parentes de funcionários da Azul. Na pista, antes da decolagem, o avião foi "batizado" por jatos de água de caminhões de bombeiros. A bordo, Neeleman, que se apresenta como Davi (em português), cumprimentou e conversou com todos os passageiros.

Dentre os pagantes, havia gente emocionada. "Me senti homenageada", disse Neide Guanaes, que estava voltando para casa, em Salvador. Aposentada, ele tinha ido visitar parentes em Campinas. Voltou de Azul pelo preço e pela conveniência de sair de Campinas. Também gostou de conversar com o presidente da empresa, Pedro Janot, que a recepcionou com brigadeiros na fila do check-in em Viracopos. "Ele já foi na minha cidade, Capão, na Chapada."

Já o avião da Embraer foi o que atraiu Everton Fernandes, morador de Valinhos. Ele embarcou ontem com a mulher e dois bebês de colo. Iam passar as férias na Praia do Forte. "Eu já tinha hotel, soube que a Azul estava para estrear e fiquei esperando eles começarem a vender bilhetes", disse. "Sai mais barato que na TAM, mas eu vim mesmo pela novidade. Queria fazer uma degustação do avião da Embraer."

Além de não ter a poltrona do meio, a Azul eliminou o carrinho de bebidas. Comissárias simpáticas vestidas com um uniforme que, pelo tom de azul claro e o estilo, lembra a velha Pan Am, passam com uma prancheta anotando as bebidas. Água, Coca-cola e sucos, em porções individuais. Outra comissária passa com uma cesta repleta de lanchinhos empacotados com a marca da Azul. A opção pela marca própria foi o custo. "Não tem de pagar pela marca", disse Neeleman.

O passageiro pode se servir à vontade de batata frita, amendoim e biscoitos. Quem tem alguma preocupação alimentar sentirá falta de uma opção mais saudável.

A ausência do carrinho de bebidas foi notada pelo publicitário Rafael Yoshihara, 24 anos. "Se você quer ir ao banheiro é ótimo, não tem de ficar pedindo licença para o vizinho nem de esperar o carrinho passar." Ele trabalha na agência responsável pelo site da Gol e estava no vôo à trabalho, conferindo os mínimos detalhes da nova companhia. Fez um bate e volta, nem desceu em Salvador. Outra que fez bate e volta apenas para observar foi Vanessa Ferraz, analista do HSBC que acompanha as companhias aéreas. "Vim conhecer a proposta para ver o impacto da Azul na concorrência", disse.

"Achei interessante. O espaço entre poltronas é amplo. Tem entretenimento."
O comandante compensou o atraso. O vôo estava previsto para durar 2 horas e 15 minutos e ele fez em 1 hora e 50 minutos. Na volta, o avião partiu com meia hora de atraso. O que não abalou os passageiros, que estavam empolgados com a experiência da estréia. "Eu achava que ia ser um avião acanhado e não sabia que ia ter entretenimento de bordo, com TV", disse o empresário Roberto Câmara, que mora em São João da Boa Vista (SP).

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