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Natura faz mudanças e enxuga estrutura

Oito meses depois de anunciar um plano agressivo de reestruturação, cujo objetivo era dar mais agilidade à companhia e recuperar a participação de mercado, a Natura começa a enxugar seu quadro de funcionários. Até agora, 200 vagas foram eliminadas, com a demissão de 100 profissionais - segundo a empresa, parte dos funcionários será reaproveitada em novas unidades de negócios.

Agência Estado |

O corte só não atinge as áreas de operação e distribuição. A empresa emprega atualmente 5,9 mil funcionários.

Segundo o presidente da Natura, Alessandro Carlucci, as demissões não têm nenhuma relação com a crise financeira e devem acabar hoje. Elas não estavam previstas no começo do ano, mas depois mostraram-se necessárias, segundo o executivo. "Quando começamos a reestruturação, não tínhamos estratégia de redução de pessoas. Mas, conforme fomos mapeando os processos e desenhando as unidades de negócios, vimos que havia níveis exagerados de retrabalho", conta. "Com as mudanças, vamos descentralizar mais as decisões. Essa é a grande mudança organizacional, talvez a maior feita na história da Natura."

A Natura é o caso clássico de empresa que cresce rápido demais e que, para suportar esse ritmo, constrói uma estrutura administrativa e financeira inchada. Quando esse crescimento diminui e os custos aumentam, a gordura fica mais evidente. O Pão de Açúcar passou por um processo semelhante no começo deste ano. Nos dois casos, os investidores aprovaram os cortes. As ações ordinárias da Natura, que estavam cotadas abaixo de R$ 14,00 em agosto (antes, portanto, do agravamento da crise global), fecharam ontem a R$ 18,00.

A crise financeira não deve mudar os planos traçados pela companhia. O investimento de R$ 400 milhões programado para ocorrer entre 2008 e 2010 está mantido, garante Carlucci. Boa parte desse dinheiro será gasto em ações de marketing. Sua principal concorrente, a Avon, aumentou em 270% as verbas de marketing entre 2005 e 2007. "Hoje, nossa visão é que continua tudo como planejado. Mas, nesse cenário de incertezas, cada dia é um novo dia", acrescenta Carlucci.

O executivo também garante que vai conseguir cumprir a meta de inaugurar 30 Casas Natura e entre três e quatro novos centros de distribuição até 2010. No mês passado, a companhia abriu um centro de distribuição em Canoas (RS) e pretende inaugurar o próximo até o fim do primeiro semestre do ano que vem. Quanto às Casas Natura, iniciativa que pode ajudar a encurtar a distância com as consultoras, a companhia só vai conseguir abrir unidades no próximo ano. "Houve um pequeno atraso. Mas vamos inaugurar cinco em São Paulo em fevereiro."

A Natura já havia adiado os planos de estréia nos Estados Unidos. Agora, a companhia nem se arrisca a dizer quando isso ocorrerá. "É desperdício de tempo tentar definir a data. Vamos reforçar o foco na América Latina. A França não é uma operação, é um pequeno experimento", diz Carlucci. Segundo ele, metade das operações da América Latina chegará ao ponto de equilíbrio neste ano e ao lucro em 2009.

A fabricante de cosméticos finalmente dá sinais de ter saído do seu inferno astral. Ao contrário de várias empresas, conseguiu lucrar com a valorização do dólar no terceiro trimestre. "A gente tem hedge tanto da importação quanto das remessas das operações internacionais. Mas não é um hedge especulativo, é operacional", explica Carlucci.

A reestruturação - que ainda não acabou, mas já começou a surtir efeitos no último balanço financeiro - foi acompanhada de perto pelos controladores. Os que moravam no exterior voltaram para o Brasil e passaram a ser mais vistos na sede da Natura, em Cajamar, interior de São Paulo. Para ajudar a redesenhar a sua estrutura, a Natura contratou a consultoria Gradus, fundada por um ex-sócio da GP. Ela é acionada nas fusões e aquisições das empresas que têm investimentos da GP.

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