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"Na manhã do dia 6 de abril, os fundadores e os principais executivos da companhia estarão à sua espera para mostrar de perto a empresa que você ajuda a construir." Foi atendendo a essa mensagem, enviada em um convite personalizado, que cerca de 200 acionistas minoritários da Natura compareceram a um encontro na unidade da empresa em Cajamar (SP).

"Na manhã do dia 6 de abril, os fundadores e os principais executivos da companhia estarão à sua espera para mostrar de perto a empresa que você ajuda a construir." Foi atendendo a essa mensagem, enviada em um convite personalizado, que cerca de 200 acionistas minoritários da Natura compareceram a um encontro na unidade da empresa em Cajamar (SP). "Nunca havia recebido um convite desses em casa, com meu nome. Decidi vir por pura curiosidade. Deixei minhas coisas, devo até estar perdendo dinheiro", diz Celso Lima de Santana, dono de um restaurante, que investe em ações para garantir a aposentadoria. A iniciativa tem uma inspiração evidente: a holding de investimentos Berkshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffett, que realiza o maior encontro de acionistas do mundo. "Estamos inaugurando um novo tipo de relacionamento com investidores para deixar a companhia ainda mais transparente para o pequeno acionista", afirma Moacir Salzstein, diretor de governança corporativa da Natura. Segundo ele, a ideia de uma assembleia mais aberta surgiu em setembro do ano passado, logo depois que a Natura aumentou o porcentual de ações negociadas na Bolsa de 25% para 40%. Os convidados chegaram em ônibus fretados pela companhia, que partiram do Shopping Eldorado, em São Paulo. Depois de atravessarem os gramados e os corredores de vidro do prédio da empresa (com cheiro dos sabonetes de erva-doce da marca), chegaram a um auditório, onde era oferecido um brunch, servido ao som de canções brasileiras, com direito a Aquarela do Brasil. Assim que foram acomodados, acompanharam por dois telões a assembleia geral ordinária da companhia, que ocorreu na sede da empresa em Itapecerica da Serra, próximo a São Paulo. Quem estava em Cajamar, pôde exercer o voto na assembleia por meio de procuração eletrônica. Depois de acompanhar a assembleia e de assistir a um vídeo sobre o trabalho da Natura com as comunidades do norte do País, a plateia atravessou as cortinas estampadas com árvores para experimentar a nova linha de sabonetes da marca. A experiência não animou a aposentada Teresa Beppu a usar os produtos. "Acho caros", diz. "Mas as ações da empresa estão entre as que me deram mais ganhos", admite a investidora. Em seguida, Alessandro Carlucci, presidente da empresa, apresentou os números da Natura, da média diária de pedidos (50 mil) ao aumento de 21% da receita no ano passado. Perguntas. Mas a maior parte dos acionista esperava mesmo pela grande oportunidade: fazer perguntas ao presidente e aos fundadores da Natura, Luiz Seabra, Pedro Passos e Guilherme Leal. "Lá em casa ninguém usa Natura porque é chato para comprar", afirmou um investidor, depois de perguntar por que a empresa insistia na venda direta. Outro acionista pediu para que as próximas reuniões fossem mais didáticas, porque a maioria ali não sabia o que era Ebitda (medida de geração de caixa). Toda pergunta era precedida por um agradecimento pela oportunidade. Um outro investidor chegou a dispensar a pergunta: "Só quero agradecer pela lição de empreendedorismo, pela numeralha e pelos ensinamentos filosóficos", afirmou. Esses últimos partiram, sobretudo, de Luiz Seabra. Em uma fala breve, ressaltou a importância dos valores e do coletivo. No início da fala, sugeriu que as pessoas ficassem à vontade. "Quem quiser se espreguiçar, respirar fundo, fazer respiração diafragmática... Isso pode dar algum conforto nesses minutos finais". Donos de ações da Natura há quatro anos, o químico Daniel Sutti e sua mulher, a advogada Sônia, saíram de lá já com vontade de ser convidados para a próxima. "Ver de perto a empresa é muito melhor do que ler os relatórios anuais", afirma Sônia.
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